''Rainha(s), Duas Atrizes em Busca de um Coração'', direção Cibele Forjaz, de São Paulo, é outro destaque do Prêmio Shell na abertura do 41º Festival Internacional de Londrina (Filo) hoje, às 21h30, no Teatro Filo, com reapresentações sábado e domingo.
Para realizar esse périplo, que premiou Isabel Teixeira com o Shell de Melhor Atriz, ao dividir a cena com Georgette Fadel, a dupla reconhece que ralou o coração ao tentar percorrer a longa distância da vaidade feminina.
''Quando a gente começou os improvisos para o espetáculo, se perguntava como estamos distantes dessas rainhas do século 16. Tínhamos muita dificuldade em levar um improviso nos ensaios de três horas e sabíamos que estávamos naufragando. Um dia, a Cibele mandou a gente para casa e, no ensaio seguinte, perguntou aonde estava o nosso coração e assim conseguimos nos colocar na situação das duas rai© nhas'', conta Isabel, que trabalhou oito anos na companhia de Cibele, diretora proveniente do Teatro Oficina.
Do coração das atrizes nasceram então as rainhas Elizabeth I (1533-1603) I e Mary Stuart (1542-1587), interpretadas por Georgette e Isabel, respectivamente. A peça é uma livre adaptação do texto do alemão Friedrich Schiller (1759-1805), escrito em 1800.
Ao recriar a luta político-religiosa pela coroa da Inglaterra e um dos episódios mais decisivos da história europeia, as atrizes seguem por um mapa de metalinguagens, trazendo a narrativa para os dias atuais.
Isabel conta que há anos leu o texto e se apaixonou. Depois de deixar a Companhia Livre, de Cibele, e trabalhar com Henrique Dias, decidiu que começaria a produzir os próprios espetáculos. Foi quando pensou em reler a obra, tendo em mente duas atrizes em cena, já que existe um encontro maravilhoso entre as personagens. Também não pensou em outra diretora que não fosse Cibele.
Georgette foi outra exigência das referências pessoais de Isabel. As duas foram contemporâneas na Escola de Artes Dramáticas, fizeram algumas peças juntas e sempre acompanharam a trajetória uma da outra.
O dramaturgo que iria adaptar a peça acabou recusando a empreitada e as duas atrizes decidiram assumir o desafio.
''Iniciamos os ensaios com improvisos. Filmamos as ações e realizávamos workshops de improvisos mais elaborados. Eu transcrevi tudo e, no final, nós três escrevemos o texto a partir desses improvisos. Virou um texto de teatro, que foi publicado até na revista da Usp'', lembra Isabel.
Um duelo para o público decidir - uma farpa a mais na disputa e que já esteve presente em outros espetáculos de Cibele, que divide com a plateia esse jogo.
''Ganhar o Shell com a peça foi maravilhoso. Um presente para mim, que já fui indicada por 'Um Bonde Chamado Desejo'. Estreei no teatro aos 10 anos e percebo que não é sempre que se tem êxito. Na realidade, o prêmio é de todos nós que estivemos reunidos no projeto'', avalia Isabel.

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