Flávio ColkerPor detrás dessa leveza está muito ensaio, burilação, erros e acertosDeborah Colker, a coreógrafa e bailarina que deixou platéias brasileiras, americanas e européias em suspenso com ‘‘Velox’’, onde os bailarinos equilibravam-se no espaço, a 11 metros do chão, fará em Curitiba, hoje e amanhã, no Guairão, a estréia nacional de ‘‘Rota’’, uma continuidade de ‘‘Velox’’.
O tema pressupõe uma ligação com o esporte, a exemplo do anterior. Há diferenças, porém. Deborah conta que a criação anterior tinha na emoção a linha condutora, como se os bailarinos estivessem numa disputa. ‘‘Trabalhamos com a força estática. A partir daí a palavra dinâmica se tornou fundamental’’, explica a coreógrafa.
O grupo, que existe há três anos, chegou a um ponto onde os conceitos de espaço, geometria, peso e volume foram sublinhados, ainda segundo Colker. A etapa seguinte: procurar novas direções para explorá-los. É o que acontece com ‘‘Rota’’, cuja proposta é dar leveza à física em movimento. Os bailarinos querem ‘‘brincar com a seriedade’’.
Astronautas e adolescentesA ordem de ‘‘Rota’’ é buscar novos caminhos; ir fundo na vertical, horizontal, frente, fundo, alto, baixo. O espetáculo foi dividido em dois atos, no primeiro os movimentos receberam nomes como se fossem uma partitura musical: ‘‘Allegro’’, ‘‘Ostinato’’, ‘‘Vigoroso’’ e ‘‘Presto’’. No segundo, ‘‘Gravidade’’ e ‘‘Roda’’.
Enquanto a primeira parte abre inspirada nos adolescentes, com toda energia, beleza e um profundo desejo de ganhar o mundo, e fecha com um barco inspirado em desenhos animados, a segunda parte vai além. ‘‘Gravidade’’ foi inspirada nos astronautas, nos corpos suspensos dentro de uma nave, com a ausência de gravidade. ‘‘Roda’’ baseou-se nos parques de diversões e no próprio planeta.
Um ano de ensaios‘‘‘Rota’ busca diversão, prazer. O prazer do movimento, da simplicidade. A beleza da dança’’, enfatiza Deborah. Não há quem conteste, mas por detrás dessa leveza está muito ensaio, burilação, erros e acertos. Desde abril de 1996 que a companhia dedica seu tempo para a execução deste espetáculo. Como ‘‘Velox’’ estava em cartaz - inclusive com apresentações no exterior - só mesmo nos intervalos é que ‘‘Rota’’ ganhava seus contornos.
Somente em janeiro deste ano é que houve dedicação integral. O mundo coreográfico no qual os 13 bailarinos mergulham é repleto de gestos, passos do balé clássico e do jazz. Em quase uma hora - são exatamente 53 minutos, na contagem de Colker, somando-se os dois atos - os artistas evoluem pelos seis movimentos, ‘‘executando com desenvoltura manobras arriscadas e sequências de excepcional vigor físico’’, finaliza a criadora de ‘‘Rota’’.
q Estréia nacional de ‘‘Rota’’ , com a Companhia de Dança Deborah Colker. Coreografia e direção de Deborah Colker; cenografia Gringo Cardia; figurinos Yamê Reis. Dias 19, às 21h e 20, às 19h no Guairão. Ingressos: R$ 25,00.

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