Na ambição da liberdade
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de julho de 1997
Zeca Corrêa Leite Curitiba 
Flávio ColkerPor detrás dessa leveza está muito ensaio, burilação, erros e acertosDeborah Colker, a coreógrafa e bailarina que deixou platéias brasileiras, americanas e européias em suspenso com Velox, onde os bailarinos equilibravam-se no espaço, a 11 metros do chão, fará em Curitiba, hoje e amanhã, no Guairão, a estréia nacional de Rota, uma continuidade de Velox.
O tema pressupõe uma ligação com o esporte, a exemplo do anterior. Há diferenças, porém. Deborah conta que a criação anterior tinha na emoção a linha condutora, como se os bailarinos estivessem numa disputa. Trabalhamos com a força estática. A partir daí a palavra dinâmica se tornou fundamental, explica a coreógrafa.
O grupo, que existe há três anos, chegou a um ponto onde os conceitos de espaço, geometria, peso e volume foram sublinhados, ainda segundo Colker. A etapa seguinte: procurar novas direções para explorá-los. É o que acontece com Rota, cuja proposta é dar leveza à física em movimento. Os bailarinos querem brincar com a seriedade.
Astronautas e adolescentesA ordem de Rota é buscar novos caminhos; ir fundo na vertical, horizontal, frente, fundo, alto, baixo. O espetáculo foi dividido em dois atos, no primeiro os movimentos receberam nomes como se fossem uma partitura musical: Allegro, Ostinato, Vigoroso e Presto. No segundo, Gravidade e Roda.
Enquanto a primeira parte abre inspirada nos adolescentes, com toda energia, beleza e um profundo desejo de ganhar o mundo, e fecha com um barco inspirado em desenhos animados, a segunda parte vai além. Gravidade foi inspirada nos astronautas, nos corpos suspensos dentro de uma nave, com a ausência de gravidade. Roda baseou-se nos parques de diversões e no próprio planeta.
Um ano de ensaiosRota busca diversão, prazer. O prazer do movimento, da simplicidade. A beleza da dança, enfatiza Deborah. Não há quem conteste, mas por detrás dessa leveza está muito ensaio, burilação, erros e acertos. Desde abril de 1996 que a companhia dedica seu tempo para a execução deste espetáculo. Como Velox estava em cartaz - inclusive com apresentações no exterior - só mesmo nos intervalos é que Rota ganhava seus contornos.
Somente em janeiro deste ano é que houve dedicação integral. O mundo coreográfico no qual os 13 bailarinos mergulham é repleto de gestos, passos do balé clássico e do jazz. Em quase uma hora - são exatamente 53 minutos, na contagem de Colker, somando-se os dois atos - os artistas evoluem pelos seis movimentos, executando com desenvoltura manobras arriscadas e sequências de excepcional vigor físico, finaliza a criadora de Rota.
q Estréia nacional de Rota , com a Companhia de Dança Deborah Colker. Coreografia e direção de Deborah Colker; cenografia Gringo Cardia; figurinos Yamê Reis. Dias 19, às 21h e 20, às 19h no Guairão. Ingressos: R$ 25,00.


