Mutantes da vida real
O mutante é uma alegoria do mundo. Algumas figuras do show business encarnam essa alegoria do mutante com muita propriedade. A cantora Madonna se transforma em Evita, progenitora e mística de uma estação para outra. Aparece de cabelos ruivos ou morenos, serena ou agressiva. Seu poder reside na constante capacidade de centralizar a atenção para si. A mídia faz reverência a um pequeno gesto de Madonna.
Mick Jagger, líder dos Rolling Stones, renasce a cada temporada, cada vez com mais ferocidade e vigor. Parece beber na fonte da juventude. Tem um fôlego invejável nos shows e continua se reproduzindo. Nunca está satisfeito. David Bowie é outro mutante por excelência. Ícone da fase glitter do rock, como ator, Bowie encarna como ninguém a eterna fome de mutação.
O mutante mais representativo atende pelo nome de Michael Jackson. Surgiu como força da black music americana. De pele alva, nariz afinado e cabelos esticados, ele evita respirar o mesmo ar que o resto dos humanos e vive num parque de diversões. De tempos em tempos, sai do seu paraíso perdido, dando oportunidade para os seguidores adorá-lo. Sonha com a morte prematura.
Madonna, Jagger, Bowie e Jackson precedem o nascimento de uma civilização verdadeiramente mutante, comercialmente eugênica. As novas descobertas da seleção genética, após o mapeamento do código genético humano no Projeto Genoma, traçam um novo paradigma da nossa capacidade de transformação. (F.F.)





