Músicos querem melhores salários
Assim como nos filmes Ensaio de Orquestra de Federico Fellini e Rumo à Felicidade de Ingmar Bergman, os bastidores de uma orquestra sinfônica não apresentam apenas uma dedicação incondicional à boa música. Há sobretudo problemas administrativos que invariavelmente dificultam o bom andamento das atividades. Para os integrantes da OSUEL, os maiores problemas se relacionam à falta de recursos destinados à orquestra: Nós temos hoje 45 músicos. Segundo nosso estatuto, o ideal seria contarmos com 90. Deixamos de apresentar algumas peças por ser inviável explica a violoncelista Maria Salete de Carvalho.
Outra demanda já antiga prevê a criação de uma sede própria, o que permitiria aos músicos ensaiar e estudar sem maiores problemas: Hoje ensaiamos no Ouro Verde. Quando não podemos (devido a algum evento), temos de ensaiar no Com-Tour, na Divisão de Música ou em outro lugar. Isto dificulta o nosso trabalho relata Flávio Collins, violinista e membro da OSUEL há cinco anos. Até existe um projeto que estabeleceria uma sede próxima ao Restaurante Universitário (RU), elaborada há três anos, e que até hoje não foi efetivado: Depois da autonomia (projeto que obriga a UEL a buscar recursos financeiros não mais no governo do Estado, e sim, na iniciativa privada), tudo ficou pior lamenta Collins.
Outro problema que atrapalha a dedicação do músico ao estudo de seu instrumento é o baixo salário. Os integrantes não quiseram informar qual seria o salário médio de um músico da orquestra hoje, mas foram unânimes ao comentar que ter outro emprego é essencial: É impossível não ter outro emprego afirma Irina Ratcheva, uma das solistas da OSUEL. No ano passado, época em que funcionários da UEL entraram em greve, houve adesão de boa parte dos músicos à reinvindicação dos servidores.
A criação de uma Escola Municipal de Música e a ampliação da titulação do curso de música da UEL (que hoje é só de licenciatura, permitndo aos formandos apenas a atividade docente) também encontram ressonância entre as constatações dos músicos da OSUEL. Para esses problemas, eles propõem uma simples solução: Empresários de Londrina, incentivem a sua Orquestra.(R.S.G.)





