Aos 17 anos, Rafael Cardoso Maurício, morador da cidade de Antonina, no litoral do Paraná, já tem rotina de um músico profissional. Aluno da Escola de Música da Filarmônica Antoninense desde os 11 anos, Rafael toca na Filarmônica (banda musical com uma formação semelhante a das tradicionais bandas municipais), na Filarmônica Orquestra Show (segmento inspirado nas ''big bands'') e já dá aulas de clarinete a outros aspirantes a músicos que, como ele, assistiram a uma apresentação e quiseram fazer parte do grupo.
Com 108 alunos, a Escola de Música é hoje a principal opção profissionalizante para os jovens de Antonina. E neste mês, no qual a banda comemora seu 33º aniversário, o grupo conquistou seu 27º título estadual concorrendo na categoria Bandas de Concerto no 27º Campeonato Paranaense de Fanfarras e Bandas, realizado no Colégio Estadual do Paraná, em Curitiba, no último dia 9. Campeã na classificação geral, a Filarmônica Antoninense se prepara agora para representar o Paraná no próximo Campeonato Brasileiro, que será realizado na cidade de Barra Mansa, no Rio de Janeiro, ainda este ano, sem data confirmada. A banda já é tricampeã brasileira em sua categoria. Já a Filarmônica Orquestra Show, lançada em 2001, gravou seu primeiro CD em 2005, com o patrocínio da Petrobras.
Enquanto vive a expectativa de mais um concurso e prestes a concluir o Ensino Médio, Rafael já está certo quanto ao que quer para os próximos anos. Vai prestar vestibular para o curso Superior de Instrumento da Escola de Música e Belas Artes do Paraná, em Curitiba. ''Quero ser profissional'', afirma. Depois pretende concorrer a uma vaga para sargento da Aeronáutica, como músico. ''É um futuro bem legal, uma coisa que eu gosto'', justifica Rafael.
O interesse por participar da Filarmônica surgiu quando ele assistia a uma apresentação da banda com a mãe. Enquanto os amigos iam jogar futebol ele ia para as aulas de clarinete. ''Diziam: 'não sei porque você está aí, vamos jogar bola.' Mas eu levava numa boa'', lembra o jovem músico. ''No começo qualquer trabalho sempre é difícil. Mais de cinco vezes pensei em desistir, deixar o instrumento de lado'', conta Rafael. Passada a fase da dúvida, o jovem sente orgulho da atividade que desempenha hoje. ''Me sinto muito honrado por pertencer à Filarmônica. Antes não fazia muito sentido. Não desejava muito, mas agora é um negócio bem grande. É um amor'', explica.
Para Graciliano Zambonin, professor da Escola desde fevereiro, a dedicação dos alunos é o que mais chama a atenção. ''Fiquei impressionado porque você olha para eles e são umas crianças. Mas são muito concentrados, sérios, têm uma seriedade de adulto. Lá em Curitiba, sempre que chega alguém tocando bem e você pergunta de onde é, ouve: 'estudei em Antonina''', observa o professor.

mockup