Músico londrinense em ascensão no exterior
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terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
A carreira de Waldir Bertipaglia talvez tivesse um percurso errático, não fossem alguns encontros generosos ocorridos desde suas primeiras aulas de piano aos seis anos de idade no Conservatório Musical de Londrina. Radicado desde 1992 nos Estados Unidos, o hoje contrabaixista veio visitar os familiares e aproveitou para divulgar sua recente proeza - a indicação para um prêmio voltado para personalidades brasileiras que se destacam na terra de Obama.
Morando em Los Angeles, ele é solista da Orquestra da Ópera do Arizona desde 2001, onde também é candidato a Doutor em Música sob orientação do professor Catalin Rotaru na Arizona State University. Como camerista, é membro fundador do grupo ''Hollywood Soloists'', que executa temas de filmes. ''Planejamos lançar um CD ainda este ano'', anuncia.
Waldir faz questão de lembrar de todos os amigos que o ajudaram ao longo de sua trajetória até a projeção alcançada atualmente. ''Tive vários anjos que me incentivaram. Um deles foi o maestro Othonio Benvenuto que, na época da fundação da Orquestra Sinfônica da UEL, convidou a mim e a outros jovens para fazer parte do grupo de músicos. Aquilo fez uma diferença muito grande na cidade. Hoje muitos daqueles garotos estão tocando em outras orquestras do Brasil e do exterior'', diz.
Na Osuel, ele teve contato com o contrabaixo e se apaixonou pelo instrumento. Depois, estudou um ano em Curitiba e outro ano em São Paulo. Posteriormente viajou aos Estados Unidos como bolsista da Indiana University South Bend e lá ficou participando de importantes festivais internacionais com presença dos mais renomados solistas do mundo.
Foi em dois festivais que ele conheceu outros ''anjos'': o suiço Martin Hillman e o norte-americano Robert Martin. O primeiro lhe presenteou com um contrabaixo e o segundo com um arco. ''Quando Hillman me deu seu instrumento, disse: 'a maneira de pagar é fazer música boa'. Robert, por sua vez, me comprou um arco porque percebeu que o meu era bastante precário e com remendo. Tenho muito a agradecê-los'', diz.
Na época, lembra ele, enfrentou muitas dificuldades. ''Não é fácil ser músico em outro país. Sempre estudei com bolsas integrais mas tinha que comer, morar e ainda investir no aperfeiçoamento participando de festivais''. O sacrifício, no entanto, foi sendo compensado graças ao esforço e talento do artista. Atualmente, com 38 anos, Waldir começa a ganhar prestígio entre seus pares. É um dos indicados ao ''Brazilian International Press Award'' na categoria ''Músico de Destaque atuando nos EUA''.
O prêmio foi criado em 1997 pelo jornalista e produtor cultural brasileiro Carlos Borges. Desde sua criação a iniciativa teve sua missão claramente definida: homenagear as personalidades, instituições e iniciativas comprometidos com a promoção cultural e imagem positiva do Brasil no exterior. A primeira fase da premiação é decidida pelo voto popular através da internet (http://www.pressaward.com/votacao.php).
A segunda etapa começa quando o voto popular termina - em 30 de janeiro. Dos 8 candidatos iniciais em cada categoria, restarão apenas 3. A partir daí, a decisão final caberá a um júri artístico composto por 200 membros da comunidade brasileira nos Estados Unidos. ''Fiquei surpreso. Considero essa indicação um reconhecimento de meu trabalho'', afirma.
Outro motivo de alegria do músico é que ele acaba de assinar contrato com uma das mais renomadas agências de música clásica dos EUA - a CHL Artists Inc., de Beverly Hills, California. Apesar da distância, Waldir não cortou laços profissionais com o Brasil. Desde 2002, ele volta a Londrina no mês de julho para participar do Festival de Música como professor-convidado. E desde 2006, no mês de dezembro, vai a Recife (PE) participar do Festival Virtuose, que reúne a nata dos instrumentistas brasileiros.


