São Paulo, 04 (AE) - O músico argelino Khaled já é escolado em Brasil. Esteve no País três vezes e conhece a Bahia, o Rio e São Paulo. "Espero que não fiquem chateados, mas gosto mais da Bahia", diz o cantor, em conversa com a Agência Estado por telefone, já em São Paulo, onde promove sua música. "Também sou apaixonado pelo Rio; você sabe: as praias, as mulheres".
Khaled é um dos responsáveis pela difusão do ra‹, música cerimonial do Norte da áfrica, pela Europa e pelo mundo, ao lado de outras estrelas da música árabe, como Cheb Mami. Vem com uma banda de 17 músicos e diz que vai apresentar algo diferente do seu show de turnê, no qual geralmente faz a divulgação de um disco.
"Vou tentar apresentar um painel abrangente de minha carreira, que já tem 10 anos", disse o cantor, que só agora se tornou conhecido com a adoção de sua canção "El Arbi" (de 1992) na trilha da novela das sete da Rede Globo e no embalo do rebolado da modelo Feiticeira, no programa "O+", da Rede Bandeirantes. Exclusividade - Segundo o produtor e diretor artístico do Heineken Concerts, Toy Lima, a vinda de Khaled (também estava cogitado o músico Cheb Mami) era parte de um show que tinha sido planejado por João Bosco em edições passadas do festival. Não deu certo naquela ocasião, mas ele acabou trazendo Khaled - com a condição que elaborasse um show exclusivo para a mostra.
Para Khaled, a abertura que a Europa propiciou para o que chamam de world music permitiu o entrecruzamento e o enriquecimento da música européia e fez surgir fenômenos criativos como Manu Chao. Ele crê que o grande impulso para a popularização da música árabe foi sua descoberta pelo mundo dance e não acha que seja "impuro" misturar a ra‹ com os recursos eletrônicos.
"A forma como você conduz seu trabalho é arte, mas a questão do sentimento está no coração e é uma coisa muito diferente", diz Khaled. (J.M.)

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