Musiclub privilegia world music
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de janeiro de 1999
Ranulfo Pedreiro 
Encontrando uma brecha no universo saturado da música comercial, várias gravadoras estão investindo em sonoridades que escapam aos padrões ditados pela produção anglo-americana. Para essa tendência criou-se o rótulo World Music, que congrega desde músicos sérios a grupos que são lapidados para agradar públicos internacionais - perdendo características arraigadas.
Surgido nos anos 80, o conceito de World Music ajudou a revelar internacionalmente talentos africanos - como Ali Farka Toure - e brasileiros - como Tom Zé -, entre outros. Mas, baseados em características consideradas étnicas, muitos dos artistas que encampam o rótulo acabam recebendo adjetivos suspeitos - como exótico - por preconceito ou incompreensão do público estrangeiro.
A World Music congrega gêneros do mundo todo, envolvendo também selos mais criteriosos que destacam nomes que passariam batido pelo conturbado mundo da indústria fonográfica. No Brasil, o MusiClub está facilitando o acesso, lançando um pacote de títulos que não são facilmente encontrados nas lojas.
É o caso do Putumayo, selo americano que produz coletâneas de ritmos e gêneros de várias regiões do globo - responsável pelo lançamento de grandes nomes da música afro-caribenha, como Ricardo Lemvo. O disco Islands, por exemplo, reúne Tito Paris, de Cabo Verde, José Gonzales Y Banda Criolla, de Porto Rico, Tarika, de Madagascar e Hapa do Havaí. Outra coletânea, Caribbean Party, traz uma mistura de ritmos que vão do zouk ao reggae. Women of the World Celtic II reúne interpretações da Irlanda e Escócia.
Além dos títulos da Putumayo, a coleção do MusiClub privilegia artistas como Fortuna, que mescla música espanhola, árabe e judaica; Marlui Miranda, que trabalha com a sonoridade de indígenas brasileiros; Cesária Évora, grande nome da morna cabo-verdiana; e a transformação do fado encabeçada pelo lírico Madredeus.
O pacote também traz muita música celta, que virou febre com a ascensão de Enya - presente no MusiClub com Watermark. Celtic Christmas traz, por exemplo, músicas natalinas. Long Journey Home, é uma monótona trilha sonora do filme que narra a imigração irlandesa para os EUA, e também é apontada como música celta.
Entre os grupos que mesclaram sons originais africanos com pop está o Deep Forest, representado pelo disco homônimo. Outra fusão é a de flamenco e soul music, protagonizada pelo violonista DAuri e o violoncelista David Darling em Flamenco Passion & Soul. O estilo também é destaque com Gerardo Nú¤ez, em Calima, e Gipsy Kings, em Greatest Hits, além de ganhar uma cara brasileira com o Alaire, que acrescenta berimbau em uma das faixas do disco Flamenco.
Há espaço ainda para a música iraniana com Jamshied Sharifi, tecladista que traz influências africanas. Entre os bons encontros destaca-se o do guitarrista africano Ali Farka Toure com o americano Ry Cooder. Toure e Cooder se entendem com facilidade, interpretando blues com sotaque africano e ritmos variados, às vezes acompanhados pela voz rascante de Toure.
O MusiClub também contempla gravações do Uakti, como I Ching, em que o grupo mineiro toca instrumentos de confecção própria, como a trilobita. O Mawaca, quase desconhecido no Brasil, reúne sete vocalistas que pesquisam as origens da música brasileira e de outros países.
Outro CD que reúne influências de vários lugares é Collection, do Cirque du Soleil, que introduziu uma linguagem cênica contemporânea ao espetáculo circense. O disco é uma espécie de coletânea de músicas utilizadas nas apresentações, compostas principalmente por René Dupéré.
Meditação embalada por música indígena entoada por flautas, violões e harpas. Esta é a proposta de André Rocha e Vagner Nazareth em Clareira - Música de Madeira e Vento, também presente no pacote.
Enfim, os discos de World Music têm opções para todos os gostos, mesmo para quem não arreda o pé da música pop. O MusiClub é um clube de venda de CDs com preços acessíveis. Os interessados podem se associar pelo telefone (011) 3037-2600.


