Encontrando uma brecha no universo saturado da música comercial, várias gravadoras estão investindo em sonoridades que escapam aos padrões ditados pela produção anglo-americana. Para essa tendência criou-se o rótulo World Music, que congrega desde músicos sérios a grupos que são lapidados para agradar públicos internacionais - perdendo características arraigadas.
Surgido nos anos 80, o conceito de World Music ajudou a revelar internacionalmente talentos africanos - como Ali Farka Toure - e brasileiros - como Tom Zé -, entre outros. Mas, baseados em características consideradas ‘‘étnicas’’, muitos dos artistas que encampam o rótulo acabam recebendo adjetivos suspeitos - como ‘‘exótico’’ - por preconceito ou incompreensão do público estrangeiro.
A World Music congrega gêneros do mundo todo, envolvendo também selos mais criteriosos que destacam nomes que passariam batido pelo conturbado mundo da indústria fonográfica. No Brasil, o MusiClub está facilitando o acesso, lançando um pacote de títulos que não são facilmente encontrados nas lojas.
É o caso do Putumayo, selo americano que produz coletâneas de ritmos e gêneros de várias regiões do globo - responsável pelo lançamento de grandes nomes da música afro-caribenha, como Ricardo Lemvo. O disco ‘‘Islands’’, por exemplo, reúne Tito Paris, de Cabo Verde, José Gonzales Y Banda Criolla, de Porto Rico, Tarika, de Madagascar e Hapa do Havaí. Outra coletânea, ‘‘Caribbean Party’’, traz uma mistura de ritmos que vão do zouk ao reggae. ‘‘Women of the World Celtic II’’ reúne interpretações da Irlanda e Escócia.
Além dos títulos da Putumayo, a coleção do MusiClub privilegia artistas como Fortuna, que mescla música espanhola, árabe e judaica; Marlui Miranda, que trabalha com a sonoridade de indígenas brasileiros; Cesária Évora, grande nome da morna cabo-verdiana; e a transformação do fado encabeçada pelo lírico Madredeus.
O pacote também traz muita música celta, que virou febre com a ascensão de Enya - presente no MusiClub com ‘‘Watermark’’. ‘‘Celtic Christmas’’ traz, por exemplo, músicas natalinas. ‘‘Long Journey Home’’, é uma monótona trilha sonora do filme que narra a imigração irlandesa para os EUA, e também é apontada como música celta.
Entre os grupos que mesclaram sons originais africanos com pop está o Deep Forest, representado pelo disco homônimo. Outra fusão é a de flamenco e soul music, protagonizada pelo violonista D’Auri e o violoncelista David Darling em ‘‘Flamenco Passion & Soul’’. O estilo também é destaque com Gerardo Nú¤ez, em ‘‘Calima’’, e Gipsy Kings, em ‘‘Greatest Hits’’, além de ganhar uma cara brasileira com o Alaire, que acrescenta berimbau em uma das faixas do disco ‘‘Flamenco’’.
Há espaço ainda para a música iraniana com Jamshied Sharifi, tecladista que traz influências africanas. Entre os bons encontros destaca-se o do guitarrista africano Ali Farka Toure com o americano Ry Cooder. Toure e Cooder se entendem com facilidade, interpretando blues com sotaque africano e ritmos variados, às vezes acompanhados pela voz rascante de Toure.
O MusiClub também contempla gravações do Uakti, como ‘‘I Ching’’, em que o grupo mineiro toca instrumentos de confecção própria, como a trilobita. O Mawaca, quase desconhecido no Brasil, reúne sete vocalistas que pesquisam as origens da música brasileira e de outros países.
Outro CD que reúne influências de vários lugares é ‘‘Collection’’, do Cirque du Soleil, que introduziu uma linguagem cênica contemporânea ao espetáculo circense. O disco é uma espécie de coletânea de músicas utilizadas nas apresentações, compostas principalmente por René Dupéré.
Meditação embalada por música indígena entoada por flautas, violões e harpas. Esta é a proposta de André Rocha e Vagner Nazareth em ‘‘Clareira - Música de Madeira e Vento’’, também presente no pacote.
Enfim, os discos de World Music têm opções para todos os gostos, mesmo para quem não arreda o pé da música pop. O MusiClub é um clube de venda de CDs com preços acessíveis. Os interessados podem se associar pelo telefone (011) 3037-2600.

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