Músicas preferidas de Crumb estão reunidas em CD
Músicas preferidas de Crumb estão reunidas em CD Jotabê Medeiros Agência Estado A série Songbook, da EMI Records, lançou uma idéia bastante festejada no meio musical: a de fazer compilações musicais com os discos preferidos de alguns artistas, como o escritor Hunter S. Thompson. Mas o seu mais recente lançamento é um escândalo de bom: trata-se de Thats What I Call Sweet Music, que reúne gravações da coleção de discos de 78 RPM do cartunista americano Robert Crumb, o sumo pontífice do quadrinho underground. Ainda bem que Crumb tocou essa música suave, diria Roberto Carlos. Robert Crumb, desde os 15 anos, é um fanático colecionador de discos de orquestras americanas dos anos 20 e 30. Em Thats What I Call Sweet Music ele selecionou 24 das melhores faixas dessa coleção e ilustrou todo o CD e o encarte. É um luxo (disponível, por enquanto, apenas na Amazon.com). A compilação de Crumb traz orquestras, big bands e maestros esquecidos pela história, como Paul Sprecht, Rudy Valle e a Red Nicholss Stompers. Interessante notar que o material de Crumb revisita somente os três últimos anos da década de 20, os mais férteis do período, intercalando orquestras e canções famosas e desconhecidas. Também desconhecidos são boa parte daqueles cantores. Como os que acompanham Paul Specht na faixa-título ou o trio que embala Doc Cook and His 14 Doctors of Syncopation na faixa Hum and Strum (gravada em Chicago, em março de 1928). Rudy Vallee, em sua autobiografia escrita em 1930, Vagabond Dreams Come True, disse acreditar que não era a música quente da época, consumida por jovens com alguns drinques a mais, que lhe interessava. A música doce e macia que Valle procurava - assim como todos os artistas reunidos nessa seleção - não tinha sua força no volume em que era tocada, mas na sutileza. Nos anos 20, todo mundo saía para dançar fora nos clubes. Foi o auge da música ao vivo, que começou já na virada do século com o ragtime e alguns crêem que acabou com a chegada do rock-n-roll, após a 2ª Guerra. Mas aquelas polêmicas entre o novo e o velho que se anunciavam nos anos 20 não têm mais sentido hoje em dia, mas é uma delícia ouvir as trilhas sincopadamente preguiçosas que embalaram as primeiras comédias de Stan Laurel e Oliver Hardy e Little Rascals. Principalmente se é possível ouvi-las apreciando a fachada do Savoy Ballroom anunciando a famosa orquestra de Erskine Tate. Mulheres não pagavam, vejam vocês...





