Músicas de Portugal, Brasil e México
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quinta-feira, 14 de janeiro de 1999
Elisa Marilia Carneiro 
Num espetáculo aberto ao público, dentro da programação da 17ª Oficina de Música, o Coro da Camerata Antiqua de Curitiba apresenta-se hoje, às 19h30, na Igreja da Ordem. No repertório, músicas portuguesas do século 17 e do período colonial do Brasil e do México.
Sob a regência de Helma Haller, o coro executa composições dos portugueses Duarte Lobo e André da Silva Gomes, dos brasileiros Emerico Lobo de Mesquita e José Maurício Nunes Garcia, e do mexicano Francisco López Capillas.
A obra Motetos a dois coros, de Francisco López Capillas - considerado um dos compositores mais importantes da América Latina, no século 17 -, é resultado de uma pesquisa apresentada do 2º Simpósio Latino-Americano de Musicologia, realizado na Oficina de Música de 1998.
A pesquisa sobre a obra musical da América Latina permite que se divulgue compositores e se conquiste mais público, afirma Helma Haller, especialista em composição e regência, com vários cursos no exterior.
Integrante da Camerata Antiqua de Curitiba desde 1982, Helma atua como cantora do coro e soprano solista, além de ser responsável pelas traduções e pronúncias das obras em língua alemã.
Em 1998, Helma assumiu a função de regente do Coro da Camerata, paralelamente à direção artística do conjunto de câmara Musette, que no ano passado realizou 12 concertos pela Alemanha e Suiça.
O concerto de hoje tem início com Dois Motetos a 6 e 5 vozes, do português Duarte Lobo (1565 - 1646), que foi maestro da Capela do Hospital Real e da Catedral de Lisboa. Os dois motetos foram compostos por volta de 1620 e são exemplos preciosos da renascença portuguesa.
O também compositor português André da Silva Gomes (1752 - 1844) será representado pelo Moteto a dois coros. Nascido em Lisboa, Silva Gomes transferiu-se para o Brasil aos 21 anos. Sua vinda para São Paulo estimulou a vida musical daquela cidade, tanto que em 1790 já se dizia que na Sé de São Paulo se fazia música pouco inferior à dos maiores templos de Lisboa.
A Música Colonial Brasileira, no que se refere ao canto A Capella (sem acompanhamento instrumental) restringe-se a poucos motetos sacros, geralmente situados liturgicamente na época da Paixão. Entre as obras deste período, interpretadas pelo Coro da Camerata, está Seis Motetos a 4 vozes para a procissão de Ramos, de José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita (1746 - 1805), tido como o maior músico mineiro do século 18. Segundo Curt Lange, Lobo de Mesquita possuía uma técnica expressiva e avançada para sua época, com um estilo que oscilava entre Pergolesi e Mozart.
Também no programa, Dez Motetos a 4 e 5 vozes para a Semana Santa, de José Maurício Nunes Garcia (1767 - 1830), primeiro grande compositor brasileiro. De origem humilde, Nunes Garcia nasceu no Rio de Janeiro e adquiriu notável cultura, tendo dirigido todas as atividades musicais da corte portuguesa, entre 1808 e 1811.
Estima-se em 400 o número de peças escritas por Nunes Garcia, abrangendo missas, ofícios, obras para cerimônias fúnebres, peças para a Semana Santa, além de orquestrações e composições instrumentais, teóricas e avulsas.
Para encerrar, a apresentação do Moteto a dois coros - Laudate Dominum, do mexicano Francisco López Capillas (1605 - 1674). Na opinião de Robert Stevenson, conceituado musicólogo contemporâneo, Capillas foi o mais importante autor de missas barrocas do seu tempo. O moteto Laudate Dominum, extraído do Arquivo Musical da Catedral de Oaxaca (México), corresponde ao Salmo 17. A exposição do tema principal da obra se dá na voz do contralto do primeiro coro e deriva do canto gregoriano.
17ª Oficina de Música de Curitiba - Concerto do Coro da Camerata Antiqua de Curitiba. Igreja da Ordem (Largo da Ordem). Hoje, às 19h30. Entrada franca.


