MUSICALIZAÇÃO - O 'choro' das crianças
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segunda-feira, 25 de abril de 2016
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
O Dia Nacional do Choro, comemorado no último dia 23 abril, movimentou cidades de todo o País com uma extensa programação. A data foi escolhida por ser o dia do nascimento do compositor brasileiro Pixinguinha, um dos maiores nomes deste gênero, responsável por dar a "cara" que a música possui atualmente.
Popularmente chamado de chorinho, é um gênero de música popular e instrumental brasileira que surgiu no Rio de Janeiro por volta da década de 1870. Apesar de ter sido um gênero muito executado até o meio do século passado, ao longo do tempo, foi dividindo espaço com outros ritmos, deixando de ser tão popular, principalmente nas rádios.
Visando resgatar os conceitos do choro e proporcionar o aprendizado de instrumentos típicos, o projeto "Papo de Anjo" nome inspirado em um título de uma música do compositor Avena de Castro deu início às oficinas para crianças de oito a onze anos da Escola Municipal Maria Carmelita Vilela Magalhães (zona Sul).
Uma vez por semana, as crianças participam das aulas, nas quais têm contato com teoria musical, história do samba e do choro e instrumentos como violão, cavaquinho e pandeiro. A oficina faz parte dos projetos aprovados pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), como parte das atividades formativas que abrangem várias modalidades artísticas em escolas municipais de Londrina.
Um dos professores do projeto, Lucas Fiuza, comenta que, depois de quatro anos de experiência com oficinas de choro para adulto, juntamente com outros parceiros, decidiu iniciar uma oficina com crianças que, em geral, desconhecem o gênero. "Passamos em cada sala mostrando um pouco do som e o interesse foi imediato. Tivemos muita procura, principalmente de violão", conta. Além deste, a oficina oferece aulas de cavaquinho, pandeiro e canto.
No total, 35 alunos divididos em dois dias de aulas no período noturno são atendidos. "Neste início, os alunos estão tendo o primeiro contato com a música; muitos deles nunca sequer haviam tocado um instrumento."
De nota em nota, os estudantes vão descobrindo o universo da música e da composição, conhecendo o instrumento e sua potencialidade. Apresentados aos acordes, a cada novo compasso, vão entendendo que tudo se encaixa, tudo faz sentido e o resultado é uma bela música. "Começamos com trechos de cantigas para, então, chegarmos ao choro em breve. Nesse primeiro semestre, cada grupo de instrumentos treina separadamente para que, no segundo semestre, passem a ter aulas juntos. Dessa forma, terão noção do conjunto e como ouvir o outro na música", explica Fiuza.
A grande expectativa é que, no final do ano, os alunos realizem uma grande apresentação com todos os participantes. Ao longo do ano, as crianças também terão contato com profissionais e estudiosos do assunto. "Tão importante quanto o aprendizado, queremos que eles se divirtam. Com a evolução, ficam felizes e isso reflete no desempenho", observa.
Gênero é reconhecido por sua excelência e requinte
Considerado como a primeira música urbana tipicamente brasileira, o choro foi se transformando ao longo dos anos e, hoje, é um dos gêneros mais prestigiados, sendo reconhecido por sua excelência e requinte. Além de Pixinguinha, o choro teve outros nomes importantes, como Chiquinha Gonzaga, Anacleto de Medeiros e Ernesto Nazareth.
Os primeiros grupos de choro eram formados, basicamente, por um trio de instrumentos flauta, violão e cavaquinho mas outros instrumentos de corda e sopro foram sendo incorporados, como violão, bandolim, clarinete, saxofone, além da percussão, sobretudo o pandeiro. Apesar de ser considerado um gênero brasileiro, no início, teve grandes influências do lundu, ritmo de inspiração africana à base de percussão com gêneros europeus. Porém, com seu desenvolvimento, foi perdendo essas características e ganhando outras, incluindo técnicas genuinamente brasileiras. Uma delas, a improvisação, é condição primordial para que o músico seja considerado um bom "chorão". Para isso, é preciso muita destreza para usar e abusar de modulações bem construídas nas composições. (M.T.)


