Muitos críticos já saudaram Lenine como o principal artista surgido na música popular brasileira após a geração que consagrou nomes como Chico, Caetano, Milton, Gil, Jorge Benjor e Paulinho da Viola.
Há controvérsias - mas poucos ousariam negar o talento do cantor e compositor pernambucano que conquistou reconhecimento nacional depois de se mudar para o Rio de Janeiro nos anos 80. Lenine faz show hoje no Teatro Marista, em Londrina, acompanhado pelos músicos da Martin Fondse Orchestra, da Holanda.
O show, intitulado "The Bridge", começa às 21 horas com ingressos a R$ 120 e R$ 60 (meia-entrada). O repertório não estava definido até ontem, mas é provável que reúna a maioria das músicas apresentadas nos três shows realizados esta semana no Rio de Janeiro, como "Hoje eu quero sair só", "Paciência", "Jack Soul Brasileiro", "O Silêncio das Estrelas", "Rosebud (o verbo e a verba)", "O dia em que faremos contato" - todas de autoria de Lenine com diversas parceiros -, além dos temas instrumentais "Stargate", "Rio-Niterói", "Ravelin", "Iran-Toot" e "Loopbrug" - essas de autoria do maestro e pianista Martin Fondse.
Fondse possui no currículo prêmios internacionais, entre eles o Edison Award, de melhor álbum de jazz de 2012, além de diversas parcerias com nomes como Basement Jaxx, Terry Bozzio e Peter Erskine. Sua orquestra combina instrumentos clássicos (oboé e cordas) com outros mais pop (bateria, piano e saxofone).
A união da musicalidade de Lenine com os arranjos orquestrais nasceu de uma vontade do regente holandês em trabalhar com o músico brasileiro, cuja obra conhecera "há mais ou menos cinco anos", como contou à FOLHA. "Senti que se um dia eu tivesse a chance de combinar meu próprio trabalho e orquestramento com um artista brasileiro, Lenine seria uma escolha desafiadora. Seu estilo musical é vibrante, vivido, cheio de groove, com composições e letras interessantes e surpreendentes", assinalou.
Esse vontade do maestro casou com a intenção do cantor de comemorar seus 30 anos de carreira de uma forma menos previsível. O primeiro encontro foi em setembro do ano passado. Em maio deste ano, realizaram uma turnê pela Europa tocando na Holanda, Alemanha e Portugal. Gostaram tanto do projeto que decidiram trazê-lo para o Brasil.
"O nome da turnê surgiu de uma conversa", explica o maestro. "Nós dois somos nascidos em ilhas. A ponte Maurício de Nassau, em Recife, foi projetada por um arquiteto holandês é uma réplica perfeita de uma ponte em Amsterdam. Então para dar a essa relação histórica entre o Brasil e Holanda uma abordagem nova através dessa colaboração musical, só poderíamos dar um nome: 'The Bridge' (A ponte)".
Ele conta que Lenine lhe deu total liberdade para escolher as músicas e criar os novos arranjos. "As melodias de suas composições são fortes, as harmonias têm muitas possibilidades e a forma como ele toca o violão é simplesmente fantástica. E sua voz é linda, flexível, cheia de intenção. É maravilhoso poder escrever um mundo de orquestra em volta disso tudo", diz.
No palco, a orquestra será integrada pelo próprio Fondse (piano e vibrandoneon), além de Dirk-Peter Kölsch (na bateria), Eric van der Westen (baixo), Mete Erker (saxofone e clarone), Irma Kort (oboé), Søren Siegumfeldt (sax tenor), Annie Tangberg (violoncelo), Vera van der Bie (violiono) e Herman van Haaren (violino). Amanhã eles se apresentam em Brasília e terça-feira em Vitória (ES). A seguir, confira entrevista com o cantor.

Serviço:
Show de Lenine com a Martin Fondse Orchestra
Quando - Hoje às 21h
Onde - Teatro Marista (R. Cristiano Machado, 240), em Londrina
Ingressos - R$ 120 e R$ 60 (meia-entrada). Assinante da Folha de Londrina tem desconto de R$ 40 por ingresso ao apresentar bônus impresso (na compra de um par)
Postos de venda - Loja Vivo (Av. Higienópolis, 777), Sonkey (R. Souza Naves, 9) e Sueko Joias (Av. Paraná, 165)

Confira a entrevista concedida à FOLHA, em conteúdo exclusivo para assinantes.

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