São Paulo, 29 (AE) - "Trazendo Che no Coração" é definido como uma "cantata dramática e cênica", segundo um dos idealizadores do espetáculo, Gilberto Chaves. "Che" procura contar a história completa do guerrilheiro - de sua saída da Argentina para conhecer outros países da América Latina, o envolvimento com Raúl e Fidel Castro no México, a revolução cubana, a vitória obtida a partir da luta na Sierra Maestra, até sua morte na Bolívia. O espetáculo poderá ser visto amanhã (30), às 21 horas, e domingo, às 19 horas, no Memorial da América Latina (fone 3823-9611). A entrada é gratuita.
A cantata refaz a trajetória de Ernesto Guevara de La Serna com projeções no telão, acompanhadas por músicas originais
compostas pelo paraense Paulo André Barata, que trabalhou em parceria como Alfredo Oliveira e Paulo Chaves Fernandes. A parte musical ficará a cargo da Orquestra Jazz Sinfônica, de São Paulo. O espetáculo foi concebido para comemorar os 30 anos da morte do guerrilheiro, completados em 1997. "Foi a forma que encontramos, no Pará, para homenageá-lo", diz Chaves.
Guevara foi executado na Bolívia dia 9 de outubro de 1967. Renunciara a todos os cargos que ocupava no governo de Fidel, e também à cidadania cubana, para tentar espalhar a revolução socialista pela América Latina. Num tempo em que o sonho do socialismo morreu munto com outras utopias, esse idealismo é o que fica do Che, segundo Gilberto Chaves. "Não quero julgar Guevara politicamente, dizer se ele estava certo ou errado; mas quantos renunciariam a tudo, como ele, justamente quando tinha atingido a vitória e tinha a seu dispor todas as facilidades que um homem pode desejar?", pergunta-se.
A parte musical do espetáculo inclui diversos gêneros, como salsa, tango e até um samba, com títulos evocativos como "Prelúdio para Che", "No Coração da Latino-América", "Adiós
Argentina", "Cuba Livre", "Carta para los Hijos", "Caminheiro da Esperança", "Canção Boliviana", "Canto da Ressurreição", e "Hasta Siempre, Comandante". "Carta a los Hijos é a mensagem que Guevara deixou para os cinco filhos, ao sair de Cuba para tornar-se novamente um guerrilheiro", informa Chaves.
Durante o espetáculo ouve-se também a gravação do discurso de Fidel Castro na ONU, quando soube da morte do antigo companheiro na Bolívia. "Todo ele é pontuado por uma frase repetitiva, como um mantra: Sejam como o Che", diz. O espetáculo termina com uma escola de samba saudando a "ressurreição" do Che, e que será tocada pela orquestra paulista e também por integrantes da Escola de Samba Vai-Vai. "Esse final carnavalesco simboliza que Che Guevara não morreu; permanece como um ícone da América Latina e do mundo em geral", diz Chaves.

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