O nome ainda passa batido para o grande público, mas o trabalho desenvolvido por ela foge da obviedade chama-se Eleonora Falcone e tem um disco por se descobrir. Com repertório calcado em ''Apetite'', lançado de forma independente em 2000, a cantora e compositora paraibana se apresenta pela primeira vez em Londrina em show hoje,®MDBO¯ ®MDNM¯às 21 horas, no Bar Valentino. No palco, Eleonora Falcone estará ao lado de dois músicos locais, o guitarrista Mizão e o violonista Rafael Palma, além de contar com o auxílio de uma base eletrônica registrada pelo músico Esmeraldo Marques. O couvert artístico foi estipulado em R$ 5,00.
No disco de estréia, Eleonora Falcone surpreende pelo toque pessoal que dá a canções de compositores contemporâneos como Suely Mesquita, Pedro Luís (do grupo Pedro Luís e a Parede), Luís Capucho (já gravado também por Cássia Eller) e do conterrâneo Chico César. Inclina-se aos diversos gêneros, o nordestino por exemplo, mas tudo desenhado à sua forma de entender a música brasileira. ''Se for para resumir, diria que é um trabalho de MPB pop. As canções têm raízes fortes da MPB, sejam elas cariocas ou nordestinas, e pop pela instrumentação'', disse Eleonora em entrevista à Folha2
O show no Valentino recebeu o nome de ''Apetite'', disco de estréia da cantora e também compositora cujo lançamento aconteceu no Rio de Janeiro, onde morou durante 15 anos. O que o público pode esperar? ''O show terá densidade, mas vai ser dançante'', avisa. A vinda de Eleonora Falcone a Londrina teve como ponte o guitarrista Mizão a quem conheceu, dias atrás, durante o Femucic, em Maringá.
Na Mostra de Música, realizada de 28 a 31 de maio, a artista paraibana apresentou um tango pouco ortodoxo, ''Carta de Amor'' (feita em parceria com Lúcio Lins) que já havia conquistado o primeiro lugar no Festival Sesc-Funjope, em João Pessoa. No encontro com o músico londrinense, que acompanhava a cantora e compositora Elda Assoni, a empatia foi estabelecida rapidamente. ''Eu e o Mizão descobrimos que temos muitas afinidades'', disse Eleonora.
Enquanto não entra em estúdio para gravar o segundo disco a previsão é de que saia ainda neste ano , Eleonora Falcone vai divulgando o seu ''Apetite'' que traz dez canções inéditas e duas regravações a inusitada releitura de ''Pensando em Ti'' (Herivelto Martins- David Nasser) e ''Duas Margens'' (Chico César - Lúcio Lins). Um dos destaques é a bem-humorada ''Michel Jackson Usa Batom'' (dela com Luís Capucho) com versos ácidos, tipo: ''Eu imagino Michel Jackson no centro de sua sala/ com aquela cara de rata branca/ uma rata que usa batom, uma rata''. Mas há de se prestar atenção na delicada e incisiva ''Invisível Tatuagem'' (Suely Mesquita), a faixa de abertura e na instigante ''Pacata'' (em parceria com Marcos Sacramento). Timbre vocal delicado, mas bem colocado.
Um detalhe interessante sobre Eleonora é que ela formou-se em Psicologia, mas a música sobrepôs se à formação acadêmica. ''O cantar sempre foi um chamado interno mais forte'', afirma. Diploma na parede, seguiu para o Rio de Janeiro, onde morou de 86 a 2001, quando fez o caminho de volta à cidade natal. ''Fui ao Rio porque achei que seria o lugar que me daria mais condições de fazer o que eu gosto em termos de música'', explica.
A artista assinala o ano de 91 como o início de suas atividades artísticas como profissional. Formou um duo com a pianista Ana Azevedo com proposta musical que abrangia jazz, MPB e pop. Nessa mesma época descobriu-se compositora. ''As músicas que faço são para eu cantar. Na realidade a compositora veio depois da cantora'', informa.
Ainda no Rio de Janeiro, fez aulas de canto, tornou-se professora de técnica vocal, monitorou o coral da Fiocruz e teve passagem pelo teatro. Enfim, Eleonora há tempos vem batalhando pelo próprio metro quadrado dentro da música popular brasileira com solavanco pop. Talento é o que não lhe falta.
SERVIÇO
- ''Apetite'', show com a cantora e compositora Eleonora Falcone. Hoje, às 21 horas, no Bar Valentino (Avenida Bandeirantes, 61), em Londrina. Participação dos músicos Mizão (guitarra) e Rafael Palma (violão). Couvert artístico: R$ 5,00

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