São Paulo – A história da música sertaneja nacional e internacional está reunida em uma enciclopédia de 400 verbetes, que será lançada amanhã em São Paulo. Da autoria do músico, contrabaixista e jornalista Ayrton Mugnaini Jr., que pesquisa a história da música ‘‘não-urbana’’ desde o início dos anos 90.
Os 400 verbetes incluem Mozart e Beethoven, que compuseram contradanças nos séculos 18 e 19 (contredanse, em francês), country dance inglesa (dança do campo) e quadrilles, danças francesas que inspiraram as quadrilhas caipiras do Brasil e em Portugal.
O livro da editora Letras & Letras traz também explicações sobre os diferentes gêneros e instrumentos musicais (guarânia, viola caipira, coco, baião, xaxado rancheira, acordeão).
Da música do século 20, Mugnaini destaca nomes como Inezita Barroso, Geraldo Vandré, Almir Sater, Luiz Gonzaga, Chitãozinho e Xororó, Alvarenga e Ranchinho, João Paulo e Daniel, entre outros.
O autor pretende mostrar que a música sertaneja não é apenas a música do interior das regiões Sul e Centro-Oeste, onde há campo cidades pequenas, mas não há sertão. Para ele, essa é a música caipira, que se refere ao trabalhador rural dessas regiões e significa ‘‘cortador de mato’’ em tupi-guarani.
A música do Norte e do Nordeste, no verdadeiro sertão, segundo o pesquisador, foi rotulada de ‘‘nordestina’’ e está dividida em quatro estilos (dor-de-cotovelo, raiz, erótico e humorístico). Entre os principais nomes estão Luiz Gonzaga, Manezinho Araújo e Genival Lacerda. Os cantores mineiros são chamados de ‘‘quase nordestinos’’ por incorporarem influências de todas as regiões.
Para mostrar as influências de um estilo no outro, Mugnaini lembra que Chitãozinho e Xororó já cantaram ‘‘Asa Branca’’, de Gonzaga. Segundo ele, Tim Maia, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Marcos e Paulo Sérgio Valle também se inspiraram no estilo ‘‘nordestino’’.
Serviço
‘‘Enciclopédia das Músicas Sertanejas’’, de Ayrton Mugnaini Jr, Editora Letras & Letras, 202 páginas. R$ 35,00

mockup