Há certos gêneros musicais que apenas de ouvir falar já empolgam. É o caso do ritmo caliente das músicas latinas. Salsa, mambo, rumba, merengue... Apostando no aspecto contagiante desses ritmos, a jornalista Janaína Ávila e a designer Viviane Pellizzon resolveram dividir seu gosto musical com o público. Elas organizaram para hoje a ''Noite do Charuto Cubano'', um evento musical que acontece no Bar do Tio Mário, em Londrina, com a promessa de não deixar ninguém parado. ''Além de curtir as músicas, as pessoas também poderão dançar'', avisa Janaína.
A trilha sonora a cargo da dupla traz Carlos Santana, Celia Cruz, Tito Puente, Buena Vista Social Club, Los Van Van, Cubanismo, Mano Negra, Café Tacuba, Orishas e Manu Chao. Nomes que Janaína Ávila também já apresentou em seu programa, ''Mundo Sonoro'', que vai ao ar semanalmente pela Universidade FM.
A salsa, explica Janaína, é a base entre os ritmos calientes. ''Com o passar do tempo, a salsa foi ganhando derivações e adaptações para o merengue, a rumba, o cha-cha-chá, a nova salsa e o mambo. São todos muito parecidos'', diz. A base instrumental em todos eles são os metais, a percussão, o piano e o violão. Quanto à temática, a jornalista diz que a maioria trata de alegria e da dança.
Os ritmos latinos são marcantes em vários países como Colômbia, Venezuela, Porto Rico. Mas é em Cuba que eles têm mais expressão. Já no Brasil, esse estilo musical não tem muita força no mercado. ''Até por causa do idioma. Acredito que exista uma certa resistência, um preconceito em relação ao repertório latino, considerado brega por muitos brasileiros. Mas são músicas de qualidade musical inegável'', defende. Janaína Ávila avalia ainda que o público costuma associar os ritmos latinos a esteriótipos, o que pode descaracterizá-los.
No entanto, a jornalista acredita em uma mudança no panorama. ''Faz uns três anos que a música latina está entrando no mercado brasileiro. Acredito até que possa estourar no verão. Os cubanos do Orishas, por exemplo, deram uma amostra disso no Free Jazz do ano passado'', comenta. Ela cita ainda o compositor e cantor Carlinhos Brown, que está preparando um CD com músicas latinas, e a cantora baiana Gil, que já gravou esse estilo musical em português. ''Só espero que não vire uma coisa de misturar ritmo latino com axé'', salienta. Outro aspecto apontado por Janaína é o número crescente de bares especializados em música e cardápio latinos em São Paulo. ''As pessoas estão descobrindo novas possibilidades'', acredita.
A música latina também vem ganhando influências de outros ritmos, como o rap, que apesar de ser um gênero marcante, não chega a descaracterizá-la. ''O Orishas é um exemplo dessa mistura. Tem a influência do rap francês, mais melódico, mantendo a raíz da música latina''.
O gosto de Janaína Ávila pelos ritmos latinos foi adquirido cedo. ''Meu pai sempre ouviu salsa, rumba, bolero, tango... tudo de música latina. Em casa, a gente acordava com a vitrola ligada. Nem digo que gostava das músicas, mas como ouvia o tempo todo...'', relembra. A formação musical da família não tinha muito espaço para músicas mais populares, como relata. ''Só tive contato com o tipo de música tocada em FM, por exemplo, depois dos 15 anos''.
Janaína passou a comprar seus próprios CDs e a buscar novas fontes na música latina. Com o programa na rádio, a pesquisa musical se intensificou. ''Procurei saber quem eram os cantores, descobrir novos nomes, muita coisa através da internet''.
Janaína Ávila e Viviane Pellizzon pretendem empolgar o público com as escolhas. E, para esquentar ainda mais a noite de hoje, elas recomendam o famoso Mojito, um coquetel à base de rum e hortelã, que será servido pelo bar com a mesma receita da Bodeguita del Médio, em Havana.
SERVIÇO:
''Noite do Charuto Cubano'' Evento musical organizado pela jornalista Janaína Ávila e a designer Viviane Pellizzon. Hoje, a partir das 21 horas, no Bar do Tio Mário (Rua dos Funcionários, próximo à Associação dos Funcionários Municipais de Londrina). Entrada franca.

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