A partir de março, o bem-sucedido Projeto Pixinguinha (com patrocínio da Petrobras) retoma a estrada com 12 caravanas que vão percorrer diversas regiões do País até maio, quatro a cada mês. ''Como estamos em ano eleitoral não se pode fazer parceria entre Estado e União a partir do segundo semestre'', explica Ana de Holanda, cantora e diretora do Centro de Música da Funarte. Por isso, nesse período, o Pixinguinha dá um tempo de novo.
Tanto o Pixinguinha como os outros projetos que vão ocupar as salas da Funarte em 2006 se inserem num plano mais abrangente que é o de ''formação de platéia''. ''Queremos atingir um público potencial que não conhece o trabalho de muitos artistas bons porque tem o acesso dificultado: por falta de conhecimento, ou porque não toca no rádio, ou os shows custam caro'', diz Ana.
Nos últimos anos São Paulo vem ganhando bons teatros para música, mesmo assim Ana acredita que faltem espaços menores com estrutura teatral para artistas novos. ''Queremos chamar a atenção para a música mesmo. As pessoas estão muito acostumadas a ver shows em bares, a música é pano de fundo'', aponta.
Além disso, sabe-se que há um número grande de artistas que não arrastam multidões, mas tem um trabalho significativo. ''Os editais da Funarte são abertos para todo mundo. Garantimos o acesso dos artistas, que vão ser julgados apenas pela qualidade de seu trabalho'', ressalta a diretora. Serão selecionados para este ano 50 artistas ou grupos para as salas de Brasília e Rio e 33 para a de São Paulo.
Um dos projetos de formação de platéia é o concerto didático voltado para estudantes. Outro investimento na área erudita é o de circulação de concertos de música de câmara nos moldes do Pixinguinha. ''Fizemos uma experiência em 2004 e deu muito certo, envolvendo produtores que bons contatos no setor, o que ajudou bastante'', lembra Ana. ''A idéia fomentar também um pouco o acesso à música clássica, deselitizar.''

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