A música erudita perde mais um de seus entusiastas. O maestro José Pedro Boéssio faleceu no último domingo, aos 52 anos, em um acidente automobilístico. Os filhos Rafael e Mariana, que estavam no veículo, também morreram. Desde 1979, Boéssio lecionava na Unisinos, em São Leopoldo (RS). Ele participou de inúmeros eventos em Londrina, tendo organizado painéis da Funarte (Fundação Nacional de Arte) e ministrado cursos no Festival de Música de Londrina, como o de canto coral.
Boéssio, natural de Veranópolis (RS), foi o criador da Orquestra Unisinos e regente assistente da Bloomington Symphony Orchestra. Em 1976, tornou-se médico pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Realizou doutorado em Música e Regência Orquestral pela Indiana University, em Bloomington (EUA), onde defendeu tese sobre Villa-Lobos. Após o retorno dos EUA, regeu a Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, a Orchestre Royal de Chambre de Mons da Bélgica, a Orquestra Villa Rizzo (RJ), a Orquestra High School Festival de Georgia (EUA) e a Orquestra Sinfônica do Festival de Londrina (quando apresentou a missa de Schubert, em 1996). Entre 1991 e 1995, trabalhou com a Chicago Civic Orchestra e a Knoxville Symphony Orchestra, sob a supervisão de Gustav Mayer e Kirk Trevor. Nos últimos anos, Boéssio e a Orquestra Unisinos se apresentaram com solistas renomados como o canadense Fred Mills, os brasileiros Antônio Claro e Hique Gomes, e o norte-americano Mark Menzies.
O maestro Othonio Benvenuto foi um grande amigo de Boéssio: ‘‘Em 1978 e 1980, nos encontramos em um concurso de corais no Rio de Janeiro. Nós (UEL) ficamos em segundo e ele em primeiro. Era um grande músico’’. A pianista Irina Ratcheva, radicada em Londrina há cinco anos, também lamentou a perda de um dos grandes músicos brasileiros: ‘‘Era uma pessoa muito amada, um dos maestros mais reconhecidos no país. Desenvolveu um trabalho importantíssimo no Rio Grande do Sul’’ lembra.

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