Música para todos os gostos amanhã em SP
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terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
Por Mauro Dias 
São Paulo, 24 (AE) - O Duofel, comemorando maioridade - 21 anos de existência - grava amanhã (25) disco ao vivo, com participação de Hermeto Paschoal, no Teatro Municipal de São Paulo, com entrada franca; Paulinho da Viola reencontra o quinteto Nó em Pingo dágua, no Sesc Pompéia; Guinga antecipa músicas de seu novo disco em apresentação ao lado de Rosa Passos, no teatro do Sesc Vila Mariana; no auditório da mesma unidade do Sesc, Mônica Salmaso apresenta as músicas de seu belíssimo disco-solo, que saiu no ano passado e ainda não foi apreciado como merece. Desdobre-se. A não ser pelo de Paulinho da Viola e o Nó, que fica em cartaz até sábado, os outros são espetáculos únicos.
Formado por Fernando Melo e Luiz Bueno, o Duofel é a mais original dupla de violão dos últimos muitos anos. Ou melhor, e mais radicalmente: esqueçam-se as outras duplas de violões. O Duofel tem concepção musical única e sonoridade inimitável. Hermeto Paschoal acredita que represente a grande novidade da música instrumental brasileira, ao lado de Guinga.
O entusiasmo de Hermeto foi tão grande, ao ouvir o grupo, que aceitou participar do Free Jazz de 1993 se pudesse ter Fernando Melo e Luiz Bueno como convidados. Hermeto gosta muito (como sabe quem assiste a seus shows) de ficar no palco. Naquela ocasião, entretanto, tocou 20 dos 50 minutos a que tinha direito. Cedeu o tempo restante ao duo. O público - que, em grande maioria, não conhecia o trabalho dos violonistas, que havia lançado, um pouco antes, o disco "Cores do Brasil" - aprovou a decisão.
Naquele mesmo ano, o Duofel ganhou o Prêmio Sharp de música instrumental pelo disco Duofel; mereceu outras indicações e foi vencedor da premiação em 1995 por "Espelho das águas" e, em 1997, por "Kids of Brazil". O CD que vai ser gravado ao vivo, amanhã, já tem nome: "Duofel - Vinte". Além de Hermeto, vão participar Oswaldinho do Acordeon e os percussionistas Luiz Carlos de Paula e Fábio Paschoal, que é filho de Hermeto.
No repertório vão estar a primeira música que Melo e Bueno compuseram juntos, "Lamento Noturno", e a última, "Azul da Cor da Manteiga", ainda inédita. Não é só. A dupla assinou contrato para gravar três discos pela gravadora Trama - o primeiro sai em julho. E estão quase prontos os primeiros solos de Melo (um CD de forró, instrumental) e Bueno (um trabalho mais voltado para a world music, com participação dos músicos indianos Badal Roy e Abhit Banertee). Quinteto - Criado em 1979, o quinteto Nó em Pingo dágua é o anfitrião de Paulinho da Viola no Sesc Pompéia. Sua existência, de certa forma, se deve ao impulso de revitalização do choro que Paulinho da Viola promovera nos anos 70. Apesar disso, poucas vezes eles dividiram o mesmo palco. Uma delas se deu no mesmo Sesc Pompéia, durante o festival "Chorando Alto". De tão bem-sucedida, repetiu-se em outro festival de choro, desta vez no Rio de Janeiro. E volta à origem.
Paulinho vai cantar ou tocar, acompanhado pelo Nó, maravilhas como "Comprimido", "Roendo as Unhas", "Cidade Submersa", "Sinal Fechado". Em solo, o Nó apresentará "Alvorada", de Jacó do Bandolim, "O Nó", de Candinho, "Valsa da Noite", de Mário Sve, entre outras preciosidades.
O CD "Trampolim", de Mônica Salmaso, foi um dos melhores discos do ano passado. Trabalho de intérprete madura, comprova em Mônica a qualidade de melhor cantora de sua geração. Difícil é decidir: Duofel, Mônica ou Guinga e Rosa Passos? O mais importante compositor brasileiro em atuação e a irrepreensível violonista e cantora prometem novidades para o espetáculo único do Vila Mariana. Mas delas só saberá quem for lá.


