Música para instigar os ouvintes
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Tal como saudade em português, bliss é uma palavra inglesa sem correspondente exato em outras línguas. Êxtase, felicidade total, euforia, há muitas traduções possíveis, mas nenhuma atende a todas as nuances da palavra original. Normalmente usa-se felicidade, simplesmente, por ser a opção mais simples, não excessiva, embora fique faltando alguma coisa. E semelhante a isso é a definição para o som produzido pelo duo dinamarquês Bliss, que está lançando o seu terceiro álbum ''No one built this moment'', pela gravadora MCD, e conta com a participação especial de Boy George, Lisbeth Scott e Sophie Barker.
Formado pelo DJ e produtor Steffen Aaskoven e por Marc-George Andersen, especialista em música clássica, o som do Bliss é uma mistura reflexiva e melancólica de pop cinematográfico, world music e chill out. Seguindo a linha de seu predecessor ''Quiet Letters'' (2003), ''No one...'' mexe com a sensibilidade auditiva do ouvinte, instigando-o a prestar mais atenção à proposta do grupo que estreou em 2001, com ''Afterlife'', pelo selo dinamarquês Music for Dreams.
Desde então, consolidou-se como um dos mais legítimos representantes do estilo chill out, aparecendo em mais de 300 coletâneas no mundo todo (com destaque para as séries Buddha Bar e Café del Mar) e em programas de televisão como CSI (Crime Scene Investigation, da Sony), o reality-show Robinson e o documentário They Made History. Também chamado de techno suave, o chill out geralmente é tonal, relaxante e não incorpora música que enfatiza ritmos hipnóticos.
O Bliss também inspira comparações com Sade, Norah Jones, Enya e Ennio Morricone. Com seus vocais sedutores, percussão delicada e elegantes orquestrações, o som do duo vem conquistando cada vez mais admiradores e a prova do sucesso é a inclusão da faixa ''Kissing'' no filme e na trilha sonora original da série americana Sexy and the City, que já vendeu mais de dois milhões de cópias, e por um longo período ocupou o 2º lugar na parada da Billboard americana.
Em ''No one built this moment'' foram mantidos as cordas, a calma e o calor fundamentais e tão característicos do som do grupo, e em entrevista exclusiva à FOLHA Steffen e Marc-George confirmam uma certa tendência melancólica de suas músicas e acrescentam que o diferencial do novo álbum é ''ter menos influência da música africana''.
O novo disco conta com a participação do lendário ícone dos anos 80, Boy George, na faixa ''American Heart''. Segundo Marc-George e Steffen, ''Boy George tem uma voz soul e um tom atemporal que combina com o nosso universo musical, já que nosso intuito é fazer música que ultrapasse as fronteiras do tempo''. Para eles, a contribuição constante de outros músicos no trabalho do duo é para somar diferenciais para a qualidade do resultado final e enfatizam que foi ''um grande prazer trabalhar com Boy George'' e brincam: ''nem sempre acredite no que dizem as revistas de fofoca...''.
Além de Boy George, a cantora e compositora Lisbeth Scott foi notada pelo Bliss por sua contribuição ao filme A Paixão de Cristo de Mel Gibson e no novo disco ela canta em armênio e hebraico, reforçando a diversidade musical característica do grupo.
Fechando as participações no álbum, Sophie Barker, do grupo Zero 7 e que também colaborou em ''Quiet Letters'', está em cinco das 11 faixas do novo disco, imprimindo uma forma diferenciada de compor e interpretar canções.
Notando que o mundo contemporâneo está acelerado e que cada vez mais as pessoas anseiam por músicas mais intimistas e tranquilas, eles definem o seu estilo como '''organic cinematic world music'''. Os dois músicos afirmam que a ideia fundamental do trabalho deles é ''explorar o poder de significação das palavras, dos significados dúbios, de forma que o ouvinte tenha a liberdade de fazer a sua própria interpretação''.
Serviço
- No one built this moment, do Bliss
Gravadora - MCD
Preço sugerido - R$ 24,90
Mais informações - www.mcd.com.br/bliss


