Já há algum tempo as consequências emocionais da música e suas implicações auditivas vêm sendo pesquisadas. Alguns de seus benefícios já foram constatados. Ouvir Mozart, por exemplo, auxilia no desenvolvimento do bebê. Estudos científicos chegaram a apontar para o fato de que tocar um instrumento musical aumenta o córtex, região do cérebro que processa os sons. Pesquisadores alemães garantem que o córtex auditivo de músicos é cerca de 25% maior do que o das demais pessoas.
Nas escolas a música tem servido de suporte para auxiliar os alunos no aprendizado das demais disciplinas. Mas e a música por ela mesma? Este é o enfoque que a professora de música Kátia Araújo, formada pela Universidade Estadual de Londrina, tem dado nas aulas de musicalização que vem desenvolvendo com bebês e crianças.
Sandra Magali nota que a filha Lorena está com a percepção musical mais aguçadaSua grande preocupação é a valorização da música como forma de expressão e não apenas como elemento de apoio ou recreação, e principalmente, a desmistificação do dom para a música. ‘‘Qualquer um pode aprender música, não depende apenas de dom. Aquele que tem o dom terá mais facilidade, mas aquele que não tem também aprenderᒒ, afirma.
Há dez anos Kátia Araújo dedica-se à Educação Musical, trabalhando sempre o aprendizado como um processo gradativo que se dá através da vivência musical. Antes de qualquer teoria, o indivíduo, quando bebê, terá um contato corporal com a música.
A musicalização, de acordo com a professora, é um processo educacional orientado que visa desenvolver na criança os instrumentos da percepção. Este processo trabalha o instinto rítmico, a sensorialidade e a afetividade, levando a criança a compreender a linguagem musical de forma gradativa.
Munidos de colher, a base do trabalho de Kátia Araújo, os bebês acompanham as batidas da música que é tocada no piano e cantada pela professora. ‘‘O uso da colher é importante por ser um objeto comum no cotidiano da criança, permitindo uma continuidade do trabalho iniciado no conservatório’’, explica.
Entre os oito meses e os dois anos, os bebês trabalham essencialmente com o timbre e a vivência corporal, por intermédio do canto, dança, manuseio de materiais diversificados e instrumentos. Castanholas, tules, argolas que se transformam em direção iniciam o bebê, de forma lúdica, no universo musical.
Desta forma a criança está interagindo com o som, vivendo a música. ‘‘Sedimentados os sons, eles serão transformados em conhecimento, em linguagem musical’’, explica Kátia Araújo. Em uma fase posterior, quando a criança já apresenta maturidade cognitiva, entra o ensino da teoria.
Kátia Araújo acredita que assim é desenvolvido o conhecimento consciente da música. Ao compreender a linguagem musical a criança irá expressar este conhecimento através de um instrumento, que ela mesma escolherá. Mesmo que a criança não adote a música como forma de expressão, ela será uma ouvinte mais crítica e reflexiva, segundo Kátia.
A professora de inglês Sandra Magali Junqueira Gomes, 32 anos, já sente os resultados do contato com música em sua filha Lorena de dois anos e três meses. Lorena começou a frequentar as aulas de música com um ano e meio. ‘‘Sua percepção musical ficou muito mais aguçada. Ela já identifica a música logo nas primeiras batidas’’, conta.
Para desenvolver este trabalho, segundo Kátia Araújo, é fundamental um profissional especializado. ‘‘É comum as escolas colocarem pessoas que não estão capacitadas para dar aulas de música. Sem consciência do trabalho os resultados não serão obtidos’’, alerta.



Musicalização para bebês com Kátia Araújo. Mais informações pelo telefone
322-1546.

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