No Brasil, é ainda incipiente a utilização terapêutica da música para gestantes. No exterior, porém, alguns países chegam a contar com filas de inscrição para sessões de estimulação pré-natal. É o que afirma a professora curitibana Simone Savytzky, que participa do 26º Festival de Música de Londrina onde ministra uma oficina de música para mulheres grávidas, além de um curso de Método Suzuki para crianças.
A oficina para gestantes está sendo realizada pela primeira vez no FML. As aulas ocorrem das 16 às 17h30 no Colégio Mãe de Deus. Ainda há tempo para as interessadas se inscreveram. ''O objetivo do curso é ajudar na relação entre a mãe e o bebê reduzindo o stress durante o gravidez, durante o parto e durante toda a vida. A intenção é que as mães tenham um momento delas com o bebê'' diz a professora.
Simone especializou-se na área formando-se no Northwest Medical Center, no Texas (EUA), em 2002. De lá para cá, acumulou informações sobre pesquisas científicas que comprovariam os benefícios da comunicação das mães com seus bebês através da música. ''A música desenvolve a memória, a concentração, a coordenação motora, a sensibilidade e até a imunidade. E é possível alterar ou diminuir os batimentos cardíacos de acordo com a música. Comprovou-se que uma música calma relaxa o bebê, ao contrário de uma música agitada'' diz.
Segundo ela, aplicações na área estão bastante avançadas em países como Canadá, França, Romênia e Estados Unidos. ''No Brasil, só uma pequena parcela dos médicos trabalha com música para gestantes. A maioria, talvez por preconceito, ainda não aceita essa técnica'' constata. Apoiada em pesquisas realizadas em hospitais e universidades, Simone informa que a audição da música de Mozart é a mais indicada para as futuras mães.
''Há um relato de um hospital de Baltimore (EUA), no qual a música de Mozart teria ajudado na sobrevivência de um bebê prematuro, que estava agitado por causa de uma pneumonia e de problemas no coração. O estado era grave. As enfermeiras, então, colocarem um CD de Mozart para tocar na estufa. Imediatamente, os batimentos cardíacos diminuíram e a oxigenação se estabilizou. Após o ocorrido, o hospital contratou um harpista da orquestra sinfônica para tocar todas as tardes na U.T.I''.
Simone lembra ainda de uma outra pesquisa realizada numa universidade em que a audição de Mozart teria estimulado a massa cinzenta de um grupo de estudantes fazendo com que eles obtivessem as melhores notas da turma. ''Não garantimos que o bebê, ao ouvir música, nascerá gênio. Mas sabemos que a música é um tonificante para o cérebro'' salienta ela.
Durante a oficina, haverá exibição de vídeos mostrando as reações de um bebê enquanto ouve música durante e após o parto. As participantes receberão material didático contendo textos sobre estimulação pré-natal já feitas em hospitais, além de relatos de pesquisas científicas. Está prevista também uma explicação sobre o método Suzuki para o caso da mãe desejar encaminhar, posteriormente, a criança ao ensino de música.
O curso contará ainda com a palestra do médico Ademar Gailit, que apresentará um método chinês de massagem para gestantes. Para se inscrever, não há necessidade de conhecimento musical. ''As mães ficarão informadas sobre um gênero musical que talvez elas nem tenham acesso. Será uma iniciação de educação musical. Vamos incentivá-las também a ler histórias infantis durante a gravidez, além de ensiná-las a respirar e a cantar canções de ninar'' completa. Mais informações podem ser obtidas acessando o site www.fml.com.br.

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