Assim caminhamos para a quarta idade, um admirável mundo novo de homens e mulheres de 70, 80 anos ou mais que conseguiram parar os efeitos do tempo. Um contingente do século 21, que tornará a terceira idade, como conhecemos hoje, coisa do passado, com a ajuda de trabalhos e pesquisas como os do gerontólogo e educador musical Marcelo Caires, autor do livro ''Educação Musical na Maturidade'', que coordena oficinas de musicalização para idosos na região.
''Estamos com o país envelhecendo e isso vai fomentar uma série de projetos específicos para idosos. A prática musical é um deles'', destaca Caires. A afirmação do gerontólogo tem eco em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicando que o Brasil tem 19 milhões de idosos ou 9,8% dos brasileiros. A estimativa é que em 2020 serão 25 milhões e até 2050 cerca de 45 milhões de idosos no país.
Uma nova realidade em que homens e mulheres viverão mais, podendo se dedicar a novas atividades. Pessoas como a dona de casa londrinense Irma Nicolau, 84 anos, uma das alunas das oficinas de música realizadas por Caires no Sesc e que, brevemente, também acontecerão na Associação Portal da Luz. ''Como toda criança brasileira, eu tive contato com a música na infância. Lembro de uma tia que tocava cítara, mas aprender música agora é algo muito interessante. Mesmo aos 80 anos, 100 ou 20 anos, a expressão musical tem algo de encantamento'', afirma.
Caires assinala que os idosos aprendem música com a mesma qualidade que os jovens, porém, o tempo de aprendizagem é diferente. Ele acrescenta que, geralmente, quando o assunto é música na terceira idade, as pessoas logo pensam no canto coral, limitando a capacidade musical dos idosos. ''Numa visão contemporânea, os idosos não só cantam, mas dançam e aprendem a fazer instrumentos musicais'', afirma Caires.
O gerontólogo, que deve estrear em setembro coluna sobre maturidade na Rádio Universidade FM, diz que a prática musical é uma atividade que ajuda os idosos a melhorarem a atenção, coordenação motora, escuta, atenção e o processo de socialização. ''Música é uma linguagem como outra qualquer em que as pessoas precisam ser alfabetizadas, devendo estudar até satisfazerem as suas necessidades, um aprendizado que pode começar também na terceira idade'', avalia Caires.

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