MÚSICA Jazz no Brasil
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sexta-feira, 02 de maio de 2003
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
O Paraná não está na rota dos festivais de jazz. Mas é provável que muitos aficionados regionais do gênero já estejam atentos à programação dos eventos agendados para esta temporada.
Entre os artistas internacionais já confirmados figuram o pianista Paul Bley, o baterista Paul Motian, o saxofonista Illinois Jacquet e a Count Basie Orchestra. Os dois primeiros nomes estão escalados para o ''Chivas Jazz Festival'' enquanto que os dois últimos para o ''Tim Jazz Festival''.
Além deles, o público aguarda as próximas atrações do ''Diners Club Jazz Nights'', cuja sexta edição foi inaugurada há 1 mês com uma apresentação do renomado baixista Ron Carter. Nos próximos dias 21 e 22 será a vez de Karrin Allyson, revelação vocal dos anos 90. O New York Voices, famoso por combinar r&b, pop, jazz e música brasileira, chega para se apresentar nos dias 10 e 11 de junho.
Completando a programação, o vibracionista Stefon Harris traz sua conhecida polivalência musical ao Brasil nos dias 23 e 24 de julho. A série de shows é realizada na casa noturna Bourbon Street Music Club, em São Paulo, com patrocínio do cartão Diners Club International.
Também aguçando as expectativas do público, o ''Chivas Jazz Festival'' vai mobilizar simultaneamente palcos da capital paulista e do Rio de janeiro, entre os dias 28 e 31 desse mês. Na terra da garoa, ocupa o DirecTV Music Hall. Na orla carioca, instala-se na Marina da Glória. Além de Paul Bley e Paul Motian, o elenco de estrelas reúne ainda Arthur Blythe, Lee Konitz, Jason Moran, Eric Alexander e Mary Stallings.
A maioria deles nunca veio ao país. O próprio pianista brasileiro Dom Salvador, radicado nos Estados Unidos e também incluído na programação, não toca por aqui há pelo menos três décadas. De todos os convidados, o nome mais familiar talvez seja o do saxofonista Lee Konitz, que frequenta as enciclopédias do gênero como um dos criadores do cool jazz.
Já o músico mais aguardado pelas platéias jovens possivelmente seja Jason Moran, o pianista cujo CD ''Black Stars'' foi eleito o melhor lançamento de 2001 pela revista Jazz Times. Se o ''Chivas'' mantém o conceito rigoroso que norteou suas três edições anteriores, não abrindo espaço para o ecletismo em sua programação, o ''Tim Jazz'' continua a tradição do ''Free Jazz'' ao combinar a ortodoxia com o rock e a música eletrônica.
O ''Tim'' será realizado de 30 de outubro a 1º de novembro. Mas só o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro receberá os shows, ao contrário das temporadas anteriores quando aconteciam também em São Paulo. Para aliviar tensões, os organizadores já comunicaram que haverá um revezamento a cada ano entre as duas capitais. O ''Tim'' do título vem da empresa de telefonia homônima, que substitui a Souza Cruz no patrocínio do evento.
As primeiras atrações já foram anunciadas. Outras tantas foram especuladas, sem ganharem carimbo oficial. Uma das confirmadas, a Count Basie Orchestra receberá a cantora Patti Austin, que vai interpretar o repertório de seu disco ''For Ella'', só com músicas da diva do jazz Ella Fitzgerald. Também de contrato assinado, o saxofonista norte-americano Illinois Jacquet tocará ao lado de sua big band formada no fim dos anos 80 e composta por 16 músicos.
Aos 80 anos, Jacquet é uma lenda viva do gênero. Ganhou fama ao interpretar com viés pessoal o standard ''Flying Home'', cujo solo entraria para a história do jazz. A execução constará de seu set no Brasil. Dono de invejável currículo, o músico marcou sua trajetória ainda como um dos inventores do ''Texas tenor'', estilo vigoroso de interpretação que traz influências do blues.
As atrações pop também começam a ser definidas. Entre os nomes cogitados constam a banda novaiorquina Rapture, o Dj e produtor japonês Cornelius, o veterano grupo belga Front 242, a expoente do electro Peaches e a banda de country alternativo Lambchop. Está prevista também uma maratona de hip hop com participação de artistas mundiais do gênero.
O festival terá três palcos. O Tim Club apresentará os grandes nomes do jazz. O Tim Lab, que ocupa o espaço do antigo palco New Directions, será voltado para as novas tendências e apresentação de talentos emergentes. O Tim Stage, maior palco, abrigará as principais atrações. O evento contará ainda com workshops, palestras e uma mostra de cinema do acervo de colecionadores de jazz, na Cinemateca do MAM.
A Rede Globo está negociando a transmissão do festival.
Serviço:
- ''Diners Club Jazz Nights''. Dias 21 e 22 de maio, 10 e 11 de junho e 23 e 24 de julho. Local: Bourbon Street Music Club (São Paulo). Informações: Cultural Service (0800 78 44 40) ou pelo tel. (11) 5182-1806.
- ''Chivas Jazz Festival''. De 28 a 31 de maio. Locais: DirecTV Music Hall (São Paulo) e Marina da Glória (Rio de Janeiro). Ingressos: de R$ 35,00 a R$ 65,00. Vendas em São Paulo: Ticketmaster * tel.: 6846 6000. Pela Internet: www.ticketmaster.com.br.
Vendas no Rio de Janeiro: Ticketronics tel: 0300 789 3350. Pela Internet: www.ticketronics.com.br. Informações: www.chivasjazz.com.br.
- ''Tim Jazz Festival''. De 30 de outubro a 1º de novembro. Local: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.


