MÚSICA INDEPENDENTE DÁ O TOM EM FESTIVAL
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segunda-feira, 20 de agosto de 2001
Simone Mattos<BR>De Curitiba 
Hoje à noite, a banda Turbo Funk e os cantores Max de Castro e Paula Lima estarão no palco do Moinho São Roque, em Curitiba. Amanhã, será a vez das bandas Black Maria, Nocaute e Rumbora, além da dupla de DJs Autoload. Esta é a programação do Free Jazz Project (FJP), evento itinerante que já passou pelo Rio de Janeiro e irá ainda para Porto Alegre e São Paulo, apresentando atrações diferentes em cada cidade.
Embora os nomes sejam parecidos, as propostas do FJP e do tradicional Free Jazz Festival (FJF), que chega neste ano à sua 16 edição, são bem diferentes. ''Quando me procurou, a coordenadoria do FJF explicou que o evento não conseguia mais abranger em sua programação toda a demanda da excelente música independente brasileira que tem sido produzida'', explica o produtor e idealizador do FJP, Bruno Levinson.
A proposta de criar um novo evento, com repertório mais alternativo, veio de encontro a um antigo anseio seu. Há dez anos, Levinson está à frente do projeto carioca Humaitá Peixes, que funciona como vitrine para novos talentos e já revelou mais de 150 artistas. Entre eles, Planet Hemp, Pato Fu e Paulinho Moska.
''Há muito tempo, eu queria transformar o Humaitá Peixes em festival itinerante, tirando-o do Rio e viajando com ele por todo o Brasil'', comenta. A proposta veio à calhar e a parceria foi imediatamente montada. Para selecionar os artistas participantes, Levinson estabeleceu alguns critérios básicos. ''Em cada noite de FJP, tem que haver a participação de pelo menos uma banda da cidade onde estamos'', comenta. No caso de Curitiba, as escolhidas foram Turbo Funk e Black Maria.
Outra exigência sua é que, a cada noite, um dos artistas seja desconhecido do grande público e outro seja um nome de peso, mas totalmente identificado com o mercado independente de música. ''Como exemplo, no Rio, apresentamos a Nação Zumbi, banda que apesar de estar no seu 4º CD, se identifica com a proposta do evento''.
Além de servir de vitrine para os artistas, o FJP será um trampolim para o FJF. Durante as apresentações itinerantes, três artistas independentes serão selecionados para participarem da 16 edição do grande evento, que acontecerá em outubro deste ano, no Rio e em São Paulo.
Os artistas, é claro, estão entusiasmados com esta possibilidade. O baixista Beto, da banda paulista Rumbora, comenta que seria um sonho participar do FJF. ''O Free Jazz Festival é conceituado por ter músicas de qualidade e artistas de alto nível'', elogia. ''É diferentes de outros grandes festivais, como o Rock in Rio, que se preocupam mais em apresentar o que é vendável e comercial'', compara.
Na esperança de ser selecionada, hoje à noite, a banda Rumbora irá apresentar músicas de seus dois CDs, ''71'' e ''Exército Positivo Operante'', ambos lançados pela gravadora Trama. Seu som é uma mistura de rock com ska, samba, baião e hardcore, fruto de um intenso trabalho de pesquisa do grupo.
A expectativa geral para o FJP em Curitiba é de que seja repetido o sucesso registrado no Rio de Janeiro, semana passada. ''Tivemos lotação esgotada no último dia e as bandas desconhecidas entusiasmaram o público'', diz Levinson. Segundo ele, a iniciativa tem como principal intenção formar um novo público e alimentar a cena independente de música.
Um detalhe interessante é que toda a produção do evento seguiu à risca uma mesma idéia: segundo Levinson, os artistas, o público e a mídia participantes do FJP estão ''construindo'' um novo conceito musical, o que originou a concepção visual do festival.
O cenário, assinado por Sérgio Marimba, por exemplo, é feito propositalmente com materiais de construção. ''Enquanto o símbolo do Free Jazz Festival é uma guitarra, o do Free Jazz Project é uma guitarra em construção'', comenta Levinson.
O Free Jazz Project acontece hoje e amanhã, a partir das 21h30, no Moinho São Roque (Rua Des.Westphalen, 4000, fone 41-333-3964). Os ingressos custam R$ 15,00 e R$ 7,50 (para estudantes com carteirinha da UNE). A compra antecipada pode ser feita na Livraria Saraiva do Shopping Crystal Plaza ou através do site www.freejazzproject.com.br


