Curitiba Por mais competentes que sejam as bandas que tocam hoje no Curitiba Pop Festival (CPF), não há como negar: todos os olhos (e ouvidos) estarão voltados para a apresentação do grupo norte-americano Pixies, que fará o show de encerramento do festival. Considerada uma das bandas mais influentes do rock nas últimas duas décadas, o Pixies faz o primeiro show de sua história na América Latina e é o principal motivo para o salgado preço de R$ 100 cobrado pelos ingressos do festival.
Os rumores de que a banda faria um show em Curitiba foram recebidos com um misto de descrédito e empolgação no início do ano. O motivo foi a separação do Pixies em 1993 após seis anos de exsitência e cinco CDs lançados. Segundo relatos, a separação foi repleta de ofensas e agressões entre os quatro integrantes da banda.
Mesmo com a confirmação oficial do show, muitos fãs não sabem como vão reagir frente aos ídolos. ''A expectativa é grande, mas sinceramente não sei o que vou fazer quando vê-los frente a frente'', comenta o baixista da banda No Milk Today Maurício Singer, conhecido como Mauricião. A banda abriu ontem a primeira noite do CPF.
Mauricião se orgulha de ter acompanhado toda a carreira do Pixies. ''Posso dizer que fui um dos primeiros fãs da banda em Curitiba. Eu tinha um amigo que trabalhava na Rádio Fluminense, no Rio de Janeiro, e já em 1988 eles tinham vinis do Pixies. Na época era difícil o acesso à música de fora, não tinha internet nem nada disso. De lá pra cá, comprei todos os CDs'', afirma. Proprietário de uma loja de discos e produtor de um programa de punk rock em uma rádio, Mauricião vem garimpando tudo que pode encontrar sobre a banda. ''Já baixei pela internet a gravação dos primeiros shows deles esse ano, e posso garantir: a qualidade da banda ainda é a mesma. Vai ser do cacete'', comemora.
Mas não só os fãs antigos estão ansiosos pela apresentação da banda. O poder de atração do Pixies também atinge as gerações mais novas. É o caso da estudante Allison (nome fictício), de 16 anos. Apesar de não ter idade para entrar no show (menores de 18 anos não entram), a adolescente garante que não irá perder a apresentação por nada. Ela passou 16 horas na fila para comprar o primeiro lote de 3 mil ingressos colocados à venda para o CPF. ''Passamos frio, acho que a temperatura estava na casa dos dez graus durante a madrugada. Mas eu não perderia esse show por nada'', garante Allison.
A paixão da adolescente pelo Pixies quando uma amiga de sua mãe lhe mostrou o Doolittle, terceiro álbum da banda, quando ela tinha 13 anos. ''Ouvi 'Hey' e me apaixonei. Daí em diante comecei a comprar todos os CDs. Até fiz uma tatuagem com o nome da banda quando tinha 14 anos'', lembra.
De Londrina, segue uma caravana repleta de maníacos pela banda liderada por Frank Black. De acordo com André Guedes, empresário da Madame X Produções que há sete anos traz atrações musicais à Londrina , são 88 fãs só da excursão que organizou para a capital paranaense. ''O primeiro ônibus nós lotamos em 24 horas. O outro foi em dois dias. A expectativa de todos aqui é muito grande'', afirma.
Guedes ficou fã da banda em 89, quando comprou o álbum Surfer Rosa. ''Desde então sou fã do Pixies. Eles iam tocar aqui em 1990, mas houve um show do Sepultura em que um cara morreu e daí cancelaram todos os shows grandes. Daí o Pixies não veio e depois acabou'', lembra. ''Então pensei que nunca mais ia ver. Mas agora estou em estado de êxtase, nem caiu a ficha ainda que eles vão tocar. Nessas horas eu deixo de ser o empresário que está organizando a excursão para ser o fã que quer levar o máximo de pessoas possível para ver o show'', explica.

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