Marcos BorgesMarco Tureta: guitarrista quer tocar world music com elementos da música japonesa e indianaWorld music ainda é uma etiqueta a ser testada no mercado. Poucos sabem dizer do que se trata. Para a grande maioria do público consumidor de discos, a música híbrida contemplada pelo rótulo permanece uma incógnita.
‘‘É que é um gênero de difícil acesso e sem espaço na mídia’’ - nota o guitarrista Marco Tureta. ‘‘As pessoas acabam ouvindo esse tipo de música de uma forma mais ou menos inconsciente através de filmes, documentários da Discovery (canal de TV paga) e peças de teatro. O Festival Internacional de Teatro, por exemplo, traz muitos espetáculos a Londrina com trilha sonora à base de world music’’ - diz.
Tureta, que tocava na banda de rock Convulsão, planeja formar outro grupo com um pé na world music. ‘‘Pretendo usar elementos das músicas japonesa e indiana nas composições, além de colocar programação eletrônica e incorporar instrumentos como flauta, cello, violino e berimbau’’. Apesar da criação tardia do rótulo, a busca dos compositores ocidentais por uma música influenciada pelas culturas tradicionais é antiga, remetendo à década de 30.
Marcos BorgesLuciano Silva: pesquisa sobre a conexão da música africana com os compositores contemporâneos
O programa ‘‘Música Nova’’, veiculado na rádio Universidade FM, já apresentou algumas séries resgatando esse diálogo. Uma delas foi co-produzido pelo estudante Luciano Silva, 27 anos, como parte de um trabalho de estágio para o o curso de Música da UEL (Universidade Estadual de Londrina). ‘‘Foram quatro edições sobre música étnica’’ - conta ele.
A idéia era mostrar a conexão da música africana com peças de compositores contemporâneos como Steve Reich, John Cage, Egberto Gismonti e outros. A pesquisa rendeu-lhe uma overdose de estímulos. ‘‘Descobri que a música étnica abre, de fato, as portas da percepção e aponta para caminhos diferentes da tradição européia’’. (Nelson Sato)

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