MÚSICA ERUDITA - Miguel Proença encerra turnê com peças brasileiras
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terça-feira, 12 de setembro de 2006
João Luiz Sampaio<br> Agência Estado 
O pianista gaúcho Miguel Proença faz hoje, no Teatro Cultura Artística, em São Paulo, o encerramento de uma turnê que o levou, nos últimos meses, a 13 cidades do País. Nelas, apresentou uma parcela da sua pesquisa dedicada ao repertório brasileiro para o piano, reunida também em uma caixa de dez CDs lançada no ano passado pela Biscoito Fino, revelando a obra de compositores como Alberto Nepomuceno, Lorenzo Fernandes, Villa-Lobos, Fructuoso Vianna, Marlos Nobre, Ernesto Nazareth, Edino Krieger e Radamés Gnattali, entre outros.
Proença costuma dizer que o repertório brasileiros para piano é muito vasto. Aparece extensamente na obra dos nossos principais autores, não importa a corrente estética que decidem seguir. E isso faz do piano um instrumento privilegiado para se pensar a música clássica brasileira. ''A partir de cada compositor é possível compreender um período, um estilo, uma série de influências. E, no fim, constatar, a riqueza da música brasileira, especialmente no século 20'', diz.
O recital, que comemora os 11 anos da ''Revista Concerto'', no entanto, não é dedicado apenas a esses autores. Proença escolheu o brasileiro Alberto Nepomuceno - compositor com que tem grande afinidade. Dele, vai interpretar as ''Quatro Peças Líricas Op.13'' (Anhelo, Valsa, Diálogo, A ''Galhofeira''). E deve ser interessante ouvi-la em meio a outros monumentos da literatura pianística de autores como Gluck (''Dança dos Espíritos Abençoados''), Debussy (''3 Prelúdios'', ''La Soirée dans Grenade'' e ''LIsle Joyeuse'') e Brahms (''Sonata em Fá Menor, Op.5'').
''As peças que escolhi fazem parte do meu repertório há muito tempo'', diz Proença. ''No ano passado, divulguei sempre Villa-Lobos, agora é a vez de Nepomuceno. Já as peças de Debussy mostram as diferentes influências do compositor, dando ao pianista possibilidades de mostrar sua imaginação sonora. E, claro, a 'Sonata Op.5' é um monumento da obra pianística de Brahms, em que o pianista pode explorar todos os recursos que o instrumento oferece e mostrar sua personalidade artística'', completa o pianista


