Música entre amigos
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quarta-feira, 23 de julho de 2014
Luana Borges<br>TV Press 
"Fazer um som" com os amigos e jogar conversa fora. É exatamente esse clima descontraído que predomina no "Estúdio do Dado", do Canal Bis, da Globosat. Gravado no próprio estúdio de música de Dado Villa-Lobos, localizado em uma simpática casa no Horto, bairro da zona sul do Rio de Janeiro, o programa já recebeu nomes conhecidos do cenário brasileiro como Gilberto Gil, Baby do Brasil, Rodrigo Amarantes, Pepeu Gomes, Paralamas do Sucesso, Caetano Veloso e o filho Moreno Veloso, entre outros. O último episódio da primeira temporada conta com a presença de Ney Matogrosso, depois de alguns meses de espera até que a equipe do programa conseguisse uma brecha na agenda do cantor. "Terminamos as gravações há mais de dois meses e faltava o Ney. Como teve um atraso de programação por causa da Copa do Mundo, conseguimos fazer", explica Gabriela Gastal, diretora do programa ao lado de Clara Cavour. A proposta da produção é mostrar performances de músicos gravadas em estúdio, tirando máximo proveito da qualidade dos equipamentos que captam o som. "A gente grava como se fosse um disco ao vivo", destaca Clara.
Assim que Ney Matogrosso chegou no local, foi direto para o camarim. A ideia das diretoras era que o cumprimento entre ele e Dado Villa-Lobos fosse o mais espontâneo possível. Por isso, os dois não se encontraram na chegada. Em seguida, Dado passou as três músicas que tocou no programa apenas com a banda do cantor. É tudo tão despretensioso que, quando Ney entrou no estúdio, o "anfitrião", ainda atento a algum detalhe nos instrumentos, quase não percebeu. E caiu na gargalhada ao dar um abraço no cantor. A partir de então, a música e a gravação "rolaram soltas". "A ideia é interferir o mínimo possível. A gente queria mostrar o que acontece dentro de um estúdio de música, que é um processo muito fechado para quem não faz parte desse meio", explica Clara.
PERSONALIDADE PERFORMÁTICA
Mesmo em um espaço pequeno, dividido entre vários músicos, instrumentos e câmaras, Ney Matogrosso não negligenciou sua personalidade performática. A cada acorde, dançava, rebolava ou fazia um movimento especificamente estudado para aquela música. Para interpretar "Tupi Fusão", por exemplo, ele praticamente compôs um personagem. "Penso nos índios para essa música. Busco algo que não seja uma cópia, mas que tenha semelhança", frisa.
Entre uma canção e outra durante a gravação, os músicos conversavam, sem seguir qualquer roteiro. Tímido como demonstra ser, se fosse para apresentar um programa aos moldes tradicionais, talvez Dado não se saísse tão bem. Mas o formato intimista favorece para que o guitarrista explore o que faz de melhor, que é tocar. "Fomos aprendendo ao longo do processo e entendendo como funcionava o estúdio. Terminamos em um ápice muito incrível, com tudo no lugar", empolga-se o músico, que se emocionou especialmente ao tocar "Amor", dos Secos e Molhados, com Ney Matogrosso. "Eu ouvia essa música quando tinha 9 anos e estar com ele ali do lado foi incrível", ressalta.
Uma semana antes, Dado e Ney combinaram o repertório composto por seis músicas. Entre elas, "Noite Torta" e "Não Consigo". O apresentador estudou de casa e só tocou com Ney metade das canções selecionadas na hora de gravar o programa. "Não participo de todas para dar espaço para o convidado. Mas isso variou ao longo dos episódios. Com o Otto e com o Arnaldo Antunes, por exemplo, eu fui o guitarrista. Mas quando o artista vinha com a banda completa, eu entrava só em algumas músicas", conta Dado, que torce por uma segunda temporada. "Podemos pensar mais nos nomes que podem vir e até mudar alguns formatos", planeja. As diretoras do programa compartilham do mesmo desejo e já estão se preparando para uma sobrevida do "Estúdio do Dado". "Mas ainda não tem nada fechado, estamos aguardando o canal", despista Clara. O programa é exibido pelo Canal Bis no domingo, às 19 horas.


