ReproduçãoCaetano Veloso lê trechos de seu livro ‘‘Verdade Tropical’’ durante o show
Música em vários canais


Especiais com Caetano Veloso, Bjork e The Who são destaques hoje na TV

Nelson Sato

Todo mundo anda chiando da programação televisiva. Mas enquanto as grandes emissoras rivalizam em baixarias atrás de suados pontinhos no Ibope, outros canais vão conquistando o público com opções mais qualificadas de entretenimento através de musicais, documentários, seriados, programas de entrevistas e variedades.
Hoje, por exemplo, é dia da música se sobressair na programação alternativa com especiais dedicados a Caetano Veloso, Bjork e The Who. O primeiro é destaque na MTV, que mostra a íntegra do show ‘‘Livro Vivo’’, gravado em setembro do ano passado no Metropolitan, no Rio de Janeiro. Vai ao ar às 23 horas.
O show marcou a temporada promocional do disco Livro (de 97) - a mesma temporada, diga-se, que deu origem ao CD ao vivo Prenda Minha, cuja vendagem já ultrapassa as 700 mil cópias. Do primeiro trabalho, Caetano canta canções como ‘‘Não Enche’’, ‘‘Livros’’ e ‘‘Minha Voz, Minha Vida’’ - todas, enfim, responsáveis pelo encalhe do disco nas lojas e pela timidez da platéia durante a apresentação.
Já as composições incluídas em seu disco ao vivo, jogam a platéia aos pés do compositor baiano, ovacionado especialmente quando interpreta o hit ‘‘Sozinho’’ (de Peninha) e a clássica ‘‘Terra’’. No palco, Caetano é acompanhado por 11 músicos, incluindo um grupo de percussionistas de Salvador. A direção do espetáculo foi de Jaques Morelembaum e o cenário de Helio Eichbauer.
ReproduçãoBjork canta músicas de seus três discosMas há mais Caetano na MTV. Além do registro da apresentação, a emissora prepara uma vasta agenda de aparições do artista em sua programação, a exemplo do que ocorreu com os Titãs no mês passado. Para o próximo dia 21, por exemplo, está confirmada a exibição de dois especiais gravados com ele, e que irão ao ar a partir de 23h30.
Na primeira hora, será apresentado o programa ‘‘Balada MTV’’, no qual Caetano aparece ao violão, sentado numa cadeira e cantando nove músicas - entre elas, ‘‘Nosso Estranho Amor’’, ‘‘Como Uma Onda’’ (de Lulu Santos), ‘‘Sou Voc꒒ (incluída na trilha sonora do filme Orfeu, onde é interpretada por Toni Garrido) e, obviamente, ‘‘Sozinho’’.
Na segunda parte do especial, Caetano se ‘‘transforma’’ em VJ da emissora e escolhe uma seleção de clipes para o programa ‘‘Check In’’. A lista de vídeos inclui desde ‘‘Diário de um Detento’’, dos Racionais MC’s, a ‘‘Alarm Call’’ e ‘‘Human Behavior’’, ambas da cantora islandesa Bjork. E é Bjork, única contemplada com dois clipes na eleição de Caetano, que ganha destaque hoje na programação do canal pago Fox.
Bjork ao vivo em Cambridge, que vai ao ar às 22 horas, traz um show quase intimista gravado em 98 para uma platéia de convidados e no qual ela repassa seu repertório cantando músicas de seus álbuns Debut, Post e Homogenic.
Este último, lançado em 97, foi saudado pela crítica mundial como um dos grandes discos da década, particularmente pelos arranjos delicados de cordas assinados pelo brasileiro Eumir Deodato e a utilização sofisticada da eletrônica. Bjork, vale lembrar, encantou o público brasileiro em agosto do ano passado, quando esteve na versão carioca do festival Close Up Planet.
Também no ano que passou, venceu pela terceira vez consecutiva a categoria de melhor cantora no Brit Awards, a maior festa da música pop européia. Recentemente, Bjork esteve envolvida na produção da trilha sonora do filme ‘‘Dancer in the Dark’’, para o qual aliás foi convidada para atuar a pedido do diretor Lars Von Trier. Será a primeira incursão de Bjork na sétima arte.
A veterana cantora Tina Turner, por sua vez, fez sua estréia cinematográfica em 1975, protagonizando a ‘‘rainha do ácido’’ no filme Tommy. É sobre esta participação que ela fala durante os depoimentos que recheiam o documentário comemorativo dos 30 anos da célebre ópera-rock criada pela banda inglesa The Who e que será exibido hoje às 21h30 pelo canal Multishow.
No programa, os integrantes da banda contam como a obra foi concebida e como revolucionou a cena musical da época, além de mostrar trechos dos incendiários shows realizados pelo quarteto no final dos anos 60. Se há controvérsias a respeito do pioneirismo de Tommy como marco inaugural do formato ópera-rock, nenhuma dúvida paira a respeito de sua repercussão, maior do que todas as tentativas anteriores.
O álbum foi lançado exatamente no mês de maio de 1969. O disco ganhou versão orquestral em 1972 com a Sinfônica de Londres, virou filme e disco em 1975 (com direção de Ken Russel e participação de Tina Turner, Elton John, Eric Clapton e do próprio The Who) e recebeu mais uma pá de registros - um deles, produzido por George Martin, especialmente para a montagem de um musical na Broadway. Nenhum deles, porém, superou a gravação original do The Who.

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