MÚSICA ELETRÔNICA Foi bom enquanto durou...
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de abril de 2005
Karla MatidaEnviada a São Paulo 
Karla Matida
Enviada a São Paulo
A cena eletrônica brasileira já não é mais a mesma. As batidas ritmadas que outrora só empolgavam o underground paulistano, agora movimentam números impressionantes. O balanço da sexta edição do Skol Beats que o diga. No final de semana, a maratona musical de 17 horas reuniu 57.500 pessoas em quase 170 mil metros quadrados. Não é pouca coisa mesmo.
Os clubbers, pioneiros da música eletrônica, dividiram espaço com os mais variados grupos. Estavam lá os manos, as minas, as pattys e até, quem diria, um ou outro cowboy do asfalto. Lá pelas tantas da madrugada, tinha até gente cantando samba-enredo (até bem natural já que o evento movimentou o sambódromo paulistano). E por aí se percebe a diversidade das pessoas que passaram pelo Skol Beats.
Variedade até mesmo nas atrações nacionais e internacionais. Com a inovação do Pepsi X Eletric, uma versão eletrônica dos trios elétricos baianos, a mistura de sons foi a palavra-chave. Entre os destaques, Elza Soares transformou a clássica Trem das Onze com a ajuda de DJs. Isso (mistura com o eletrônico) não só revigora a música brasileira, como leva lá pra fora, garante.
Sem ouvir o que cantava, Elza precisou improvisar. Estava sem retorno, então fui criando na hora. Acho que ficou bom e o público gostou, contou. Para Patrícia Marx, a altura do trio atrapalhou. Gosto de olhar nos olhos, explicou a cantora, que se apresentou ao lado do marido, o DJ Bruno E. Mesmo assim, aprovaram a experiência. O público também. Palmas também para as apresentações inusitadas do pernambucano DJ Dolores e a parceria da banda Sepultura com os DJs Nuts, Zegon e o rapper Paulo Nápoli.
No palco principal, as atrações internacionais, como o escocês Mylo, foram recebidas com fogos de artifício e chuva de papel prateado criando um clima especialíssimo. Outra delícia musical, o quinteto Faithless, também deixou o público com uma sensação de quero mais. Por sorte, o que não faltou foram opções. Só era preciso resistentência para dar conta de percorrer todos os cinco ambientes.
No espaço das três tendas é que se viu maior aglomeração. Mesmo sendo prata da casa, o brasileiro Marky foi o responsável pela maior lotação da Movement (contrariando quem achava que o público se interessaria mais pelas atrações internacionais). Numa troca de line-up, os paranaenses Leozinho e Paciornik acabaram se apresentando antes da dupla Sasha e Digweed (que tinha pela frente um set de seis horas!).
Erik Morillo, que já conhecia os brasileiros de uma apresentação em 2002, fez uma homenagem especial ao subir ao palco com uma camiseta verde-e-amarela. Já eram 4 horas da manhã e a animação da platéia ainda estava a pleno vapor. E continuou até pouco mais das 9 horas de domingo.
Chega de guerra. Aqui só tem gente feliz!!, dizia a faixa que passeou pelo Anhembi durante a maratona e acabou refletindo o clima da festa. Apesar do público recorde (na edição passada o público foi de 50 mil pessoas), os 2.100 seguranças particulares e os 1000 policiais militares não registraram ocorrências graves. Trezentas pessoas foram atendidas nos postos médicos por problemas de contusões ou indisposições.
A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da organização do evento
BATIDINHAS
- ''Nós tocamos na Argentina no final de semana passada, mas nós amamos mais vocês'', disparou o escocês Mylo durante uma das apresentações mais bacanas do Skol Beats. O público, que já estava adorando tudo, respondeu calorosamente. O país vizinho voltou a ser assunto com Carlinhos Brown, que disse que ''as nossas relações com a Argentina são perfeitas. O mundo precisa ser contagiado de amor''. Coincidência ou não, o baiano dividiu o palco do trio eletrônico com o DJ argentino Dero.
- Festa como aval de uma cerveja, mas com responsabilidade. Uma blitz bem-humorada passeou por todo o Anhembi para lembrar o público que não dá para beber e dirigir.
- No Brasil, tanto a moda como a música eletrôncia cresceram e apareceram na mesma época. Não por acaso, o Anhembi se transformou numa enorma passarela. Meninos de saias longas, meninas de saias de bailarina. Turmas inteiras com roupas iguais e até mesmo um casal de abadás (uniforme dos trios elétricos).
(K.M.)


