Dono de uma música que casa a poesia com a linguagem sonora de forma magistral, o compositor alemão Robert Schumann (1810-1856) realizou nas suas obras o que na literatura alguns poetas ainda não tinham conseguido. A poesia musical repleta de frescor juvenil e, ao mesmo tempo, de melancolia profunda marcou a obra desse homem.
Um espetáculo cênico-musical produzido em Londrina vai mostrar parte dessa obra e contar trechos da vida de Robert Schumann com o grande amor de sua vida, a pianista Clara Wieck. O casal mais romântico da história da música será interpretado pelos atores Remir Trautwein e Sílvia Sitta, que sobem ao palco do Cine-Teatro Ouro Verde para encenar ‘‘O Romantismo Como Destino’’. Este espetáculo multiarte, que reúne teatro, música e dança, tem uma única apresentação, hoje, às 20h30. A montagem, realizada pela Vivarte Produções Culturais, foi concebida pelo pianista Marco Antonio Almeida. ‘‘Defino este espetáculo como um momento de poesia, mágica, romantismo e humanidade’’, diz.
As apresentações das peças do compositor serão executadas por Marco Almeida e pelo violoncelista Antonio Del Claro. O tenor carioca Fernando Portari empresta a voz para registrar a poesia de Schumann através da música. A participação especial do Ballet de Londrina, com coreografia de Leonardo Ramos, fecha o espetáculo desenhado por Marco Antonio Almeida.
Todos os textos utilizados no espetáculo são originais e datam de 1827 a 1856. O diretor conta que o material foi levantado pelo musicólogo alemão Werner Sobotzik, que selecionou 12 volumes da correspondência, do diário e do livro de contabilidade doméstica do casal, que foram traduzidos pela professora londrinense Mimi Luck.
Na concepção de Marco Almeida, este espetáculo tem duas finalidades. A primeira é fazer com que os compositores se tornem mais importantes que os intérpretes. Além disso, a idéia é desmistificar e humanizar a imagem do gênio. ‘‘Nada melhor que as cartas para perceber esse lado humano. Com elas, a gente fica preso à terra e, com a música, vai ao céu’’, comenta.
Exímio pianista que também adquiriu notável cultura literária, Robert continuou seus estudos como aluno de piano de Friedrich Wieck, pai de Clara. Apaixonando-se pela moça, Schumann enfrentou seu mestre, que era rigorosamente contra o relacionamento.
O público poderá acompanhar cinco fases da vida de Clara e Robert. O casamento realizado em 1840 contra a vontade do pai dela, mediante um processo no Tribunal de Leipzig, e a vida conjugal do casal. Depois, o período em que apareceram os sintomas de perturbação mental de Schumann, que tentou suicídio ao jogar-se no rio Reno, acabando em um sanatório, onde morreu.
Clara Wieck, considerada uma das primeiras representantes do movimento feminista, defendeu até o fim o mito do marido, mantendo a história de que ele morreu louco. Na verdade, com a queda do Muro de Berlim, foram descobertos fichários médicos que comprovavam a fase terciária de sífilis, a causa da sua loucura. A pianista continuou a tocar e a dar aulas para sustentar os filhos.
Mesclando essas fases com a música, Marco Antonio Almeida vai interpretar no piano canções escritas a partir dos anos 40. O programa traz as peças Fantasia opus 16; Danças dos Companheiros de Davi, opus 6; Cenas Infantis opus 15; Sonata opus 11 – Introdução; Três Peças Fantásticas; Addagio e Andante opus 72 e Lieds dos ciclos: Amor Poeta e Ciclo de Canções.
Dois integrantes do Ballet de Londrina, Ana Elisa Delorenzo e Luiz Cláudio Souza, entram no palco para a cena de um sonho repleto de ornamentos românticos. Já os seis integrantes do Ballezinho participam do casamento de Robert e Clara.
Este formato de espetáculo é a primeira experiência de Fernando Portari. Para ele, o trabalho é um caminho para acabar com a falta de comunicação das pessoas que fazem arte e da falta de uma identidade própria da arte brasileira. ‘‘É necessário ser moderno para fazer chegar a mensagem ao público. No Brasil, precisamos colocar a essência do erudito dentro da realidade. As pessoas vão ver coisas mais próximas delas’’, diz.
Os atores Sílvia Sitta e Remir Trautwein, dirigidos por Maria Fernanda Coelho, se depararam com um novo desafio. Ela, que pouco conhecia da história do casal, resolveu se apegar à imagem de ‘‘mulher forte’’ que Clara Wieck passava para compor a personagem. ‘‘Minha conclusão é que Clara era uma mulher extremamente apaixonada e muito humana. Sabia o que queria e tinha muito amor pelo homem Schumann’’, analisa.
Para compor Robert, um homem com personalidades conflitantes, Remir Trautwein baseou-se nas cartas, pois notou que o compositor escrevia o que não tinha coragem de falar. ‘‘Acredito que não faço um Schumann que foi descrito por alguém’’, afirma. Em seu trabalho, o ator procura ressaltar especialmente as paixões de Schumann: Clara, a música e a poesia.
‘‘O Romantismo como Destino’’ – Espetáculo cênico-musical que faz parte da série Concertos Sercomtel. Hoje, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85). Com Marco Antonio de Almeida, Antonio Del Claro e Fernando Portari. Atores: Sílvia Sitta e Remir Trautwein, sob direção de Fernanda Coelho. Participação especial: Ballet e Ballezinho de Londrina. Direção Geral: Marco Antonio de Almeida. Realização: Vivarte Produções Culturais. Ingressos na hora a R$ 15,00 – R$ 7,50 (aposentados) e R$ 5,00 (estudantes/promocional). Antecipado: R$ 10,00 e R$ 5,00 para aposentado. Patrocínio: Sercomtel. Apoio: Leis Municipal e Federal de Incentivo à Cultura, A. Yoshii, Interstation, Jabur Informática, Crystal Palace Hotel e Onda.

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