Francelino França
Na 19ª edição do Festival de Música de Londrina, o compositor italiano Giovanni Luisi retorna à cidade para ministrar um curso de trilha sonora para imagens. Resumidamente, o curso é voltado para filmes, mas também se estende para documentários, programas de tevê e publicidade.
Segundo o músico, a idéia é ensinar algumas regras típicas deste modo de fazer música, que contém uma linguagem bastante específica. ‘‘A música aplicada à imagem precisa ser eficaz, para entregar a idéia certa ao público’’ sintetiza Giovanni Luisi. Para ele, a música não pode roubar a cena, nem atrapalhar as falas dos atores.
A música é mais um entre inúmeros elementos num filme, cada um dos quais tem seu preço e requer seu tempo. O processo ideal para se compor um trilha passa primeiramente pela leitura do roteiro, seguido de intensas conversas com o diretor, para que depois das filmagens finalizadas o compositor possa trabalhar com as imagens.
‘‘Na maior parte do tempo trabalha-se em equipe. Discute-se muito, antes e depois. A música é a última coisa a ser feita’’, diz. Isso faz com que o compositor sofra uma forte pressão para finalizar o trabalho em tempo recorde. Muitas trilhas famosas foram compostas em pouquíssimo tempo. Criador de obras primas, o italiano Nino Rota se destaca neste quesito, pela sua facilidade em criar e orquestrar rapidamente.
Luisi consegue extrair uma vantagem do tempo exíguo, ele obtém mais energia para compor. ‘‘Não há tempo, nem dinheiro para cometer erros’’, sintetiza. Uma das trilhas compostas por Giovanni Luisi é do filme ‘‘Boom’’, do diretor Andrea Zaccariello, a ser lançado em setembro. Em algumas faixas, ele retrata uma atmosfera comovente, comprovando sua maturidade como compositor. Giovanni Luisi conquista o ouvinte logo nos primeiros acordes, ao orquestrar uma obra inspiradora.
Na Itália, informa o músico, a produção cinematográfica gira em torno de 80 filmes anuais. Por isso, é difícil se dedicar somente a esse trabalho. Luisi também compõe para documentários (National Geografic), publicidade e já fez músicas para desenhos da Disney, quando lançados na Itália. Também atua como consultor musical da empresa Telecom.
Giovanni Luisi acredita ser importante o músico possuir formação erudita, ser compositor e conhecer muitos estilos diferentes. Mas existem exceções, como o músico Giorgio Moroder, que ostenta dois Oscars em seu currículo, o primeiro por ‘‘Midnight Express’’, de Alan Parker. A segunda estatueta foi pela canção tema de ‘‘Top Gun’’. O japonês Ryuichi Sakamoto, compositor sazonal para cinema, quando passeia por essas trilhas proporciona resultados comoventes. Seu trabalho em ‘‘O Último Imperador’’, de Bernardo Bertolucci, é o passaporte sonoro para outros lugares e outros tempos.
Na galeria dos melhores compositores de trilhas sonoras escolhidas por Giovanni Luisi figuram Bernard Herrmann (‘‘Psicose’’, ‘‘Cidadão Kane’’, ‘‘Um Corpo que Cai’’, ‘‘Taxi Driver’’); Ennio Morricone (‘‘A Missão’’, ‘‘Cinema Paradiso’’); John Willians (‘‘E.T.’’, ‘‘Star Wars’’) e Miklós Rózsa (‘‘Ben Hur‘‘, ‘‘Quo Vadis?’’).

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