Música e humor no Guairinha
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segunda-feira, 06 de abril de 1998
Zeca Corrêa Leite 
DivulgaçãoOs irmãos humoristas e músicos Chico e Paulo Caruso, criadores do Conjunto NacionalOs irmãos Paulo e Chico Caruso, o escritor Luís Fernando Veríssimo e Aroeira, que formam a banda de humor e música O Conjunto Nacional, tocam hoje em Curitiba numa homenagem aos jornalistas, que comemoram o seu dia nacional. Todos os componentes do grupo são jornalistas e o show é uma sátira à política brasileira.
A banda, fundada em 94, é o resultado da fusão de duas outras, a Tancredo Jazz Band e a Avenida Brasil. A única apresentação acontecerá hoje, no Guairinha, com ingressos a R$ 10,00. A abertura do espetáculo será da cantora Anna Toledo. Ela cantará composições de Paulo Leminski, a partir das 21 horas.
Estamos comemorando a primeira grande conquista da imprensa, que aconteceu no dia 7 de abril de 1831, explicou o organizador da homenagem, o jornalista e produtor Alvaro Colaço. Foi quando o imperador Dom Pedro I abdicou do trono, explicou.
Gêmeos no corpo, na alma e na arte. Os irmãos Paulo e Chico Caruso trabalham com o traço, o humor e a política estampando nossas alegrias e mazelas nos principais veículos brasileiros. Cada qual dentro do seu estilo, com sua visão e sagacidade. Ferinos? Nem tanto. Críticos, realistas.
Juntos eles ainda não somam um século, mas estão perto. Aos 48 anos de idade ambos têm o que contar, tocar e cantar. Sim, depois de se firmarem na profissão, eles tomaram o caminho do palco e foram, apresentando-se com a banda O Conjunto Nacional. Entre charges e caricaturas, sobra sempre um tempo para a música. Chegaram a compor juntos duas canções. É claro: o Brasil aparece de corpo inteiro nas linhas e entrelinhas das partituras.
DivulgaçãoO escritor e humorista Luís Fernando Veríssimo mostra sua versatilidade ao saxofone
ChicoTivesse seguido a carreira de músico, Chico Caruso estaria hoje comemorando a trajetória artística. Como homem das tintas e das ceras, não fez alarde dos 30 anos de profissão, ocorrido em 1997. Ele começou a publicar - profissionalmente - em 1967 na Folha da Tarde.
Sete anos depois está no semanário Opinião. Em 1975 participa do lançamento de outro semanário Movimento. Nesse mesmo ano passa a fazer charges para o jornal Gazeta Mercantil. Tem passagens pela revista IstoÉ, Jornal do Brasil, Pasquim. Desde 1984 suas charges são publicadas no jornal O Globo.
PauloA vida toda de Paulo transcorreu na Vila Madalena, famoso bairro paulistano. Ali vive até hoje. Cartunista e caricaturista trabalha no momento para o Jornal do Brasil. Porém, o Brasil inteiro o acompanha pelas páginas da revista IstoÉ. Há 17 anos ele mantém sua Avenida Brasil na última folha da revista. Por essa avenida, em suas calçadas, bares e casarios passaram desde presidentes da República a anônimos alçados aos poucos minutos de fama.
A Avenida Brasil transformou-se em livro, fazendo parte dos 12 que ele tem publicados. Seus trabalhos constam também do acervo do Museu da Sátira e da Caricatura da Basiléia, na Suiça. Por essas paragens andou Paulo Caruso, participando de exposições do gênero. Foi ele o organizador do I Encontro Brasil X Argentina de Humor. Em 1996 venceu o Salão Carioca de Humor da Casa de Cultura Laura Alvim, com o desenho As Vítimas da Globalização.


