Você já parou para pensar no caminho que as músicas percorreram para que chegassem a seu formato final? Não estamos falando de transmissões em ondas curtas ou longas, tampouco de compressão de arquivos sonoros. O ponto em destaque é a ''Cadeia Produtiva da Economia da Música'', um complexo híbrido constituído por diversas redes de serviços como indústria fonográfica, tecnologia digital, pirataria, direitos autorais, política públicas, radiodifusão e mídia impressa, espetáculos e shows, indústrias de instrumentos musicais e formação de platéia, entre outros.
O tema também dá título ao livro de Luiz Carlos Prestes Filho, que estará na próxima quinta-feira em Londrina para ministrar o seminário ''Economia da Cultura'', uma realização da Casa de Cultura da UEL em parceria com o Sesc Paraná e apoio da Associação Comercial e Industrial de Londrina. Nesta entrevista à FOLHA, o autor fala da publicação, que será lançada durante o evento/
Como e quando nasceu o projeto do livro?
O livro resultou do estudo ''Cadeia Produtiva da Economia da Música'', realizado pelo Núcleo de Economia da Cultura da Incubadora Cultural do Instituto Gênesis da PUC-Rio. Iniciamos o trabalho quando concluímos o levantamento sobre a contribuição da cultura para a formação do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado do Rio de Janeiro. Verificamos que as atividades relacionadas com a Economia da Música, além de importantes na geração de emprego e renda, tinham seu ciclo produtivo completo no Estado.
Em sua opinião, o que as pessoas conhecem sobre este assunto?
Depois de oito anos de pesquisas e a publicação do livro ''Economia da Cultura - a força da indústria cultural do Rio de Janeiro'', em que apresentamos a metodologia para levantar informações estratégicas do setor, o tema tomou conta do País. Nos Estados mais desenvolvidos é considerado importante pelos gestores públicos. As Federações das Indústrias do Rio de Janeiro, Pernambuco, Sergipe e as Associações Comerciais do Rio de Janeiro e Paraná estão realizando atividades neste campo. No Rio Grande do Sul, a Universidade Federal lançou um curso específico sobre Economia da Cultura. O cenário hoje é bem mais positivo. A época da abertura de picadas no mato cerrado terminou!
Você fala que ''Música é muito mais que um conjunto melódico destinado a entreter ouvintes'', uma declaração que sugere a apresentação da música também como produto comercial. Você acredita que o valor artístico-cultural acaba tornando-se secundário nos dias atuais?
O valor artístico-cultural nunca é secundário. Villa-Lobos recebia muito pouco em arrecadação de direitos autorais. Após seu falecimento, sua música ganhou reconhecimento internacional; sua execução faz entrar no Brasil U$ 400 mil todos os anos, que sustentam a Academia Brasileira de Música (ABM). O que não é reconhecido hoje pode ser importante ativo econômico amanhã.
A tecnologia digital é uma das grandes responsáveis pela reviravolta na economia das gravadoras, como a internet e seus programas de downloads, e a própria pirataria. Essa situação pode ser revertida?
Os atuais fonogramas saíram da prisão, circulam livremente. Não existem fronteiras para a troca de informações e a música está inserida nesse contexto. Mudou o modelo de
negócios. Tentar reverter a situação é o mesmo que tentar trazer de volta os tempos das caravelas. Temos que regulamentar o mundo da internet. Temos que pensar este novo mundo em que conhecimento e tecnologia são os principais ativos econômicos.

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