Música, drama e poesia
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quinta-feira, 23 de julho de 2015
Reportagem Local 
Escrita por Chico Buarque em parceria com Paulo Pontes, a peça Gota D'Àgua tornou-se um clássico e foi agraciada com o Premio Molière de Teatro, em 1975. A montagem que mistura texto e música é a principal atração de hoje no 35º Festival de Música de Londrina (FML) dentro da série Sinpro Convida, às 18h15 e 20h30, no Teatro Marista.
A peça será encenada por 27 alunos do curso de Coro Cênico do FML, que retratarão as agruras sofridas pelos moradores do fictício conjunto habitacional Vila do Meio-dia. A história tem como foco a relação entre Joana e Jasão, um compositor popular assediado pelo poderoso empresário Creonte.
A montagem conta com regência e direção geral de Regina Lucatto, mestre em Música e uma das fundadoras do Grupo Vocal Garganta Profunda, do Rio de Janeiro. "O resultado desse processo todo é sempre gratificante. Soube que em Londrina tem muita gente que já trabalhou junto em turmas ou grupos diferentes e coincidentemente, nesse curso eles vão atuar juntos pela primeira vez. Trata-se de uma oportunidade interessante que só enriquece o processo da montagem", afirma a diretora.
Ela conta que no primeiro dia do curso pôde conhecer o grupo e trabalhar na escolha do elenco. "Sempre tenho que fazer adaptações; tenho que vir totalmente aberta e é sempre uma incógnita, porque não sei o que vou encontrar. Nesse grupo tivemos a felicidade de ter o Thiago Spengler, bailarino que fez as coreografias e me ajudou nas marcações de cena, e o Paulo Vítor Poloni, que fez o preparo vocal, proporcionando ao conjunto uma voz mais empostada e de qualidade", salienta.
Toda a montagem teve que ocorrer nas duas semanas de duração do curso, e o resultado impressiona. "Tive que exigir do grupo, de ter as notas no lugar, os solos, tudo tem que estar organizado. Optamos por trabalhar só com piano, para ter uma interação maior e junto com isso tem os textos, construindo a história. O resultado é maravilhoso", diz orgulhosa.
Gota DÁgua transporta a tragédia grega Medeia de Eurípedes para o Rio de Janeiro. A montagem retrata a tragédia urbana e as dificuldades vividas pelos moradores são o pano de fundo para o drama vivido por Joana e Jasão, que larga a mulher para casar-se com Alma, filha do rico Creonte. Sem suportar o abandono e para vingar-se, Joana mata os dois filhos e suicida-se. Na cena final, os corpos são depositados aos pés de Jasão, durante a festa do seu casamento.
A montagem original trazia no elenco Bibi Ferreira (Joana), Roberto Bomfim (Jasão), Oswaldo Loureiro (Creonte) e Bete Mendes (Alma), direção geral de Gianni Ratto e direção musical de Dory Caymmi.


