Bebel Gilberto, naturalmente, ama seus pais. Mas, em termos musicais, não gosta quando dizem que sua dicção está cada vez mais parecida com a da mãe, a cantora Miúcha. ''Queria que dissessem que eu tenho a dicção do meu pai, não encaro como um elogio falarem que eu tenho a dicção da minha mãe; ela fala para dentro, eu não''.
Ainda seguindo nos braços da família, Bebel - que no último disco, Momentos, havia regravado a música Caçada, de seu tio, Chico Buarque de Hollanda - optou espontaneamente por regravar a antológica Bim Bom, composta por seu pai no final da década de 1950. Com um arranjo conservador, porém sem a inconfundível marca de João Gilberto, o violão, a música primou pela simplicidade, sendo registrada apenas com os vocais de Bebel, o piano de outro herdeiro do Olimpo da música, Daniel Jobim, e a bateria de Magrus Borges.
All in One, disco lançado mundialmente no fim de setembro pela Verve (a mesma gravadora que registrou o histórico Getz/Gilberto, em 1963) acaba de chegar ao Brasil. Além de Bim Bom, o álbum traz mais três regravações, todas bem diferentes das originais. Sun Is Shining, gravada originalmente por Bob Marley em 1978, ganhou versão em português, feita pela própria Bebel. A falta de energia e pegada que transbordam na original é compensada pela calmaria e pela riqueza harmônica do novo arranjo. Bob Marley, Jamaica e a cultura rastafári, diga-se de passagem, têm relação com a gênese do disco. Em dezembro do ano passado, Bebel resolveu visitar o país da América Central, em férias. O local ''de clima quente, mas sem ser chapado como o do Rio'', como ela mesma define, inspirou o surgimento de Canção de Amor e Port Antonio, e consequentemente do álbum.
O álbum foi inspirado nas músicas Canção de Amor e Port Antonio, durante viagem de Bebel para a América Central
De lá, o disco continuou a ganhar forma em Salvador, local que marca a reaproximação de Bebel com Carlinhos Brown, com quem, aliás, já havia trabalhado. O músico baiano produziu Nossa Senhora (parceria dele com Paulo Levita), Ela - On My Way (dele com Bebel), All in One (de Cézar Mendes e Bebel), Secret (dela com Thomas Barlett) e um dos pontos altos do disco, Chica Chica Boom Chic, regravação do sucesso de 1941 na voz de Carmen Miranda.
Em Nova York, outra música do passado que ganhou cara nova foi The Real Thing, lançada em 1977 por Stevie Wonder. A faixa teve produção de Tom Brenneck e Mark Ronson, que já trabalhou com Amy Winehouse, Lily Allen, Kaiser Chiefs e Robbie Williams, e contou com participação do grupo de Brenneck, The Dap-Kings.
Bebel, que trará o show de All in One para o Brasil apenas em março e abril de 2010, mal acaba de lançar o disco, já tem nomes que ficaram de fora deste, mas que não escaparão do próximo. ''Deve rolar algo com Caetano e Seu Jorge, mas não posso revelar ainda''.

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