Música do mundo
Orquestra Mundana Refugi irá apresentar o espetáculo gratuito, neste domingo, na programação do 39º FIML
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de julho de 2019
Orquestra Mundana Refugi irá apresentar o espetáculo gratuito, neste domingo, na programação do 39º FIML
Marian Trigueiros - Grupo Folha
O Brasil tem a formação de sua identidade e história de seu povo diretamente ligada a diversas outras culturas do mundo. Não por acaso, isso permanece até hoje com a vinda de imigrantes de muitos países e, mais recentemente, refugiados em busca de oportunidades para recomeçar a vida. Se a adaptação inicial em um novo país pode ser difícil, sobretudo pelas diferenças da língua e hábitos do dia a dia, uma coisa acaba diminuindo essas barreiras: a música. É nessa atmosfera que a Orquestra Mundana Refugi, de São Paulo (SP), se solidificou. O grupo irá apresentar o espetáculo gratuito “Open Air”, neste domingo, às 16h30, no Zerão, na programação do 39º FIML (Festival Internacional de Música de Londrina). Se chover, o evento será transferido para às 20h30, no mesmo dia, no Teatro Ouro Verde.
Criada em 2017, a Orquestra Mundana Refugi nasceu como desdobramento da Orquestra Mundana, que já existia há 15 anos com músicos de todo o mundo. Tudo começou quando, ao longo de dois meses dentro do “Projeto Refugi”, no Sesc Consolação (SP), foram oferecidas oficinas de dança e música para imigrantes e refugiados. O projeto realizou também uma série de atividades temáticas, palestras e debates sobre refúgio e migração, além de ensaios abertos da orquestra para que o público pudesse acompanhar o processo. Daí em diante, houve a incorporação de novos integrantes amadores aos profissionais da antiga orquestra, resultando em um grupo musical ainda maior, formada por músicos brasileiros, imigrantes e refugiados de diversas partes do mundo, num total de 21 integrantes.
“Numa conversa informal com a assistente social e historiadora Cléo Miranda, contei um pouco de nossa história e em seguida a convidei para que, juntos, no aniversário de 15 anos da Orquestra Mundana, levássemos adiante um projeto que tivesse como foco os refugiados e os novos imigrantes de São Paulo e que transcendesse a música, envolvendo os aspectos sociais e humanos que essa temática exige. Não por coincidência, mas por afinidade de pensamento e ação, ela estava decidida a fazer algo nesse sentido e juntar paulistanos que pudessem ser mais solidários e acolhedores com esses povos que para cá migraram”, lembra Carlinhos Antunes, responsável pela direção musical do grupo.
Com isso, segundo ele, esta nova formação começou se firmar e, aos poucos, levar ao público temas tradicionais da Palestina, Síria, Irã, Guiné Conacri, Haiti, Congo e Brasil em arranjos inusitados (grande parte feitos por ele), além de composições próprias que constam num primeiro CD gravado ao vivo. Neste trabalho, portanto, vozes e instrumentos como o kanun, acordeão, piano, violino, cítara chinesa, bouzouki dão vida a várias culturas. “Temos um respeito muito grande pelas diversas escolas musicais – formais ou não – das quais vieram essas pessoas. É uma junção do universo da música dos conservatórios, oriundos da oralidade, das igrejas e até mesmo etnias de aldeias. A orquestra, como se pode notar, vai muito além da parte musical, pois cada um desses integrantes traz a bandeira de seus países e de suas próprias histórias”, conta.
Para celebrar os dois anos de trabalho em muitas línguas e linguagens musicais, a Orquestra Mundana Refugi está em processo de gravação de seu segundo CD com aproximadamente nove faixas, o “Caravana Refugi”. O trabalho em questão presta uma homenagem a Milton Nascimento e apresenta um novo arranjo para o tema Caravanas, de Chico Buarque, além de um rap palestino e um frevo composto pela Orquestra. Já o CD anterior, gravado ao vivo em agosto de 2017, é fruto desse trabalho intenso proveniente do Projeto Refugi que uniu muitas vozes e muitas mãos. “O show a ser apresentado em Londrina será uma mistura do repertório que consta neste dois trabalhos e mostra o amadurecimento musical e técnico da orquestra.”
MÚSICA DA VIDA
Desde 2012 vivendo no Brasil, o jovem Leonardo Matumona, de 23 anos, nasceu e cresceu no Congo, país do continente africano. As poucas condições de trabalho e conflitos políticos do país o fizeram sair de casa e mudar-se para Angola, também país africano, onde se fala português. De lá, logo veio para o Brasil. Aqui, com outros três congoleses, deu origem ao quarteto “Os Escolhidos Group”, que participou, à época, do projeto do Sesc. Tão breve, passou a fazer parte da Orquestra Mundana Refugi. “A música sempre foi algo presente na minha vida, pois no Congo é muito comum as pessoas participarem de grupos musicais de bairro, escolas e igrejas. Trouxe um pouco das músicas folclóricas e ritmos que cantamos lá.”
SERVIÇO:
Open Air com Orquestra Mundana Refugi – 39º FIML
Quando: Domingo (21), às 16h30
Onde: Zerão (rua Júlio Estrela Moreira, s/n)
Quanto: Gratuito
*(Se chover, o evento será transferido para às 20h30, no mesmo dia, no Teatro Ouro Verde)
VÍDEOS
Conheça um pouco do trabalho da Orquestra Mundana Refugi
OMRefugi - As Caravanas (Chico Buarque) - 2018
Muito Prazer. Orquestra Mundana Refugi presente #5