De fato, um rapaz bonito, talentoso e carismático. Atributos físicos e artísticos à parte, mais uma figura a ilustrar as estatísticas se é que existem de brasileiros bem-sucedidos no exterior. O londrinense Marcus Antônio Machado está radicado há 15 anos em Portugal e lá vai traçando uma trajetória de sucesso como cantor popular. Na terra do Fado, Marcus, como é conhecido, marca presença no cenário musical com seu estilo ''pop latino''. Que, trocando em miúdos, pode ser resumido em estofar com toques eletrônicos gêneros como samba, pagode, axé, lambada, canções românticas estilos largamente explorados por aqui. Trata-se de uma questão de senso de oportunidade: se no Brasil varonil há muitos adeptos do estilo, em Portugal ele reina absoluto. Atualmente Marcus está com 32 anos.
Olhos maiores se espicharam para o cantor com a releitura tecno que ele fez de ''É o Tchan'' (aquela mesma do ''segura o tchan, amarra o tchan, segura o tchan, tchan,tchan, tchan, tchan''). É por aí a praia em que o londrinense nada com largas braçadas. Tudo isso, aliado a uma performance sensual em palco, que agrada e muito, pelo jeito, fãs principalmente o mulherio de todas as idades. Uma amostra do que Marcus faz em solo lusitano poderá ser conferida hoje, a partir das 23 horas, na boate The Muzik Hall. Na apresentação, ele estará acompanhado da banda da dupla Rodrigo e Rogério, uma das atrações fixas da casa noturna.
Sim, Marcus atingiu o status de celebridade por lá. Para chegar onde está, foram anos de ralação e aquela forcinha misteriosa que concretiza o que precisa acontecer. ''Sou grato a Portugal por realizar meu sonho de cantar, gravar disco, estar no palco e ter um público fiel'', diz ele. O artista está no Brasil para gravar algumas músicas de seu décimo disco. Aliás, todas a matrizes de seus trabalhos são feitos em estúdios brasileiros dois CDs, aliás foram gravados em Londrina pelo expert Pedro Franciscon. ''Em Portugal há bons músicos, bons estúdios mas são caros. Há também bons produtores, mas não são tão familiarizados com nossa linguagem musical'', analisa.
Atualmente contratado da gravadora Vidisco, Marcus diz ter carta branca para escolher o repertório que incluem composições próprias. ''Mas há consenso entre mim e a gravadora. No ano passado, eles pediram e eu aceitei gravar ''Dormi na Praça'' (megassucesso de Bruno e Marrone) que acabou virando um pagode'', informa. As paredes de sua casa ostentam alguns discos de ouro e de platina. É bom saber que, em Portugal, é preciso agradar muito ao gosto do público para conquistar o tal disco dourado lá, só o recebem cantores com vendagem superior a 20 mil cópias, enquanto no Brasil o cobiçado troféu só vai às mãos de quem comercializou, ao menos, 100 mil exemplares.
Para chegar a esses números, a divulgação é imprescindível. Por isso, Marcus realiza perto de 100 shows anuais, com direito a apresentações também em alguns países europeus. E Marcus parece não ter nenhum problema em ser um cantor que imediatamente cai no gosto popular e levar a Portugal filões fonográficos em evidência no Brasil. Da lambada passando pelo axé e incluindo até o pagode romântico, ele mistura elementos dance e faz um caldo apreciado por muitos na terra de Camões e Fernando Pessoa. ''Mas não me considero uma estrela, não tenho essas vaidades'', diz.
O que diferencia Marcus de outros artistas brasileiros bem aceitos por lá como Fafá de Belém, Maria Bethânia e Martinho da Vila, só para citar alguns dos mais expressivos é que ele tem uma carreira sedimentada ao lado de seu público. Ou seja, em vez de trabalhar no Brasil e fazer temporadas em Portugal, como é de praxe, o londrinense permanece lá.
Como figura notória do meio artístico, Marcus aponta algumas façanhas como apresentações em canais de televisão, destaque da revista Caras portuguesa e da Carícia, que quebrou o tabu ao estampar foto e reportagem com ele. Ele se considera bonito? Marcus sai pela tangente: ''Pra Portugal sou um tipo bem diferente''. O assédio de fãs, como conta, existe de fato. Mas não beira a histeria das brasileiras diante de ídolos frequentemente expostos na mídia. ''As fãs de lá são mais recatadas, respeitosas'', diz. E como em time que ganha não se mexe, Marcus vai sedimentando sua carreira construída de suingue e glórias. ''Eu sou povão mesmo. O importante é levantar a galera'', diz taxativo.
Serviço
Apresentação especial do cantor Marcus. Hoje, a partir das 23 horas, na boate The Muzik Hall (Avenida Higienópolis, 2.315), em Londrina. Ingressos a R$ 10,00. Informações e reservas de mesa pelo telefone (43) 3329-6876

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