Para quem acreditava na soberania do disco físico, a música digital está, cada vez mais, dando mostras de que quer sua parte nesse latifúndio. Certos fatos não podem ser ignorados. Não quando uma banda como Radiohead lança um trabalho na web e o disponibiliza para downloads no valor que o fã achar justo. Ou quando o Iron Maiden antecipa a audição de ''El Dorado'' em seu site, faixa de seu próximo álbum: ''The Final Frontier''. Ou quando se cria um prêmio voltado a essa categoria.
Com inscrições abertas até dia 31 de agosto, o 1º Prêmio de Música Digital (www.premiodemusicadigital.com.br) ganhou providencial simpatia de grandes gravadoras e empresas envolvidas na comercialização de plataformas digitais. Inédita no Brasil e também no mundo, segundo seus criadores, a premiação mira três frentes.
Para participarem de uma delas, o Prêmio por Vendas, gravadoras, bandas e artistas independentes podem cadastrar seus campeões de vendas no campo virtual - de 1º de julho de 2009 ao dia 30 de junho deste ano -, em dez categorias como rock, samba/pagode, pop, MPB, internacional e sertanejo. ''Na auditoria, será feita uma triagem e um cruzamento desses dados, junto a gravadoras, editoras e os próprios artistas'', explica o produtor musical Marco Mazzola, um dos idealizadores da iniciativa, ao lado de Marcelo Alves, diretor da ADMA Eventos.
No Prêmio por Voto Popular, um conselho escolherá cinco finalistas em cada categoria, cujos vencedores serão escolhidos pelo público. Já o Prêmio por Reconhecimento Digital contemplará a empresa e o artista mais engajados nos meios digitais. A cerimônia de entrega será no dia 23 de novembro, no Teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro.
Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial, acredita que os meios digitais são aliados na divulgação do artista. Por isso, a banda disponibiliza o novo disco, ''Das Kapital'', para ser ouvido de graça em seu site oficial. ''Acho que, no futuro, as gravadoras vão abrir seus catálogos e passar a pagar direitos autorais através da publicidade vinculada às páginas dos artistas'', diz.
Também apostando no filão virtual, a banda mineira Jota Quest descobriu uma linha de comunicação direta e eficaz com os fãs via site oficial, blogs, Orkut, Twitter e, claro, música digital. ''Foi uma surpresa quando batemos a marca de mais de 1 milhão de celulares vendidos, com nosso conteúdo dos discos 'Até Onde Vai' (2005) e 'La Plata' (2008)'', conta o vocalista Rogério Flausino. ''Enquanto nosso último disco, o 'La Plata', alcançava 50 mil cópias vendidas, computávamos 500 mil downloads, incluindo músicas do disco novo e anteriores, wallpapers, toques de celular.''
Para Flausino, os shows são, de longe, a maior fonte de renda da banda. Ele destaca que, no entanto, não dá para ignorar ferramentas de divulgação, como telefonia celular e internet. ''Acho que, um dia, as pessoas vão pagar o valor dos downloads como pagam uma conta de luz, telefone e TV a cabo'', arrisca.
Na opinião do cantor e compositor Nasi, ex-Ira!, este é um caminho alternativo para se propagar a música, sem depender de gravadoras ou outros intermediários. ''No meu site, eu disponibilizo gratuitamente meus discos solos, especialmente para as pessoas que conheceram agora meu novo trabalho ('Nasi Vivo Na Cena') e queiram saber mais sobre minha carreira'', diz o cantor. ''São álbuns que estão fora de catálogo e poderiam estar perdidos. Graças ao universo digital, esse material está à disposição do público''.
Para o próximo CD, Nasi já pensa em gravar uma música por vez, à medida que ela vai ficando pronta. Depois, soltá-las uma a uma na web e, no final, compilar todas num CD. ''A exemplo do Radiohead, que criou um laço de cumplicidade com o público, acredito que vai chegar um ponto em que os discos não serão mais bancados por gravadoras, mas sim pelos fãs ao se comprometerem a fazer download do trabalho do artista que eles gostam''. Sem dúvidas, a música digital chegou para mudar a face do mercado.

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