Música de dois países
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terça-feira, 04 de novembro de 1997
Zeca Corrêa Leite Curitiba 
DivulgaçãoPedro Abrunhosa: ídolo em Portugal, ele
está no Brasil para participar do festivalDaqui a dois anos e cinco meses o Brasil comemora 500 anos de descobrimento. A festa começa agora com o Vinho do Porto Festival, evento musical que aproxima as duas nações - o antigo reino e sua colônia -, através de suas personalidades musicais. De 4 a 6 no Guairinha estarão reunidos Ivan Lins, Leila Pinheiro, Toquinho e os artistas dalém mar. São eles: Pedro Abrunhosa, Os Bandemónio, Carlos do Carmo, Rui Veloso, Maria João e Mário Laginha.
Como o Brasil não é só samba, Portugal não é só fado. A proposta do encontro é essa - mostrar que a amplidão musical vai muito além dos estereótipos. Dizem os produtores do acontecimento que ainda existem arestas a serem aparadas entre brasileiros e portugueses, mas no campo da música não há espaço para disputas. Aqui a lei é a harmonia.
Quatro capitaisO Vinho do Porto Festival contempla quatro capitais brasileiras - Rio de Janeiro (Canecão), São Paulo (Memorial da América Latina), Porto Alegre (Theatro São Pedro) e Curitiba (Guairinha). Os oito artistas apresentam-se em parcerias, celebrando a amizade dos palcos.
A turnê se encerra no Paraná, sem a presença de Elba Ramalho que cantou com Pedro Abrunhosa nas outras três cidades. Assim, a programação atende a seguinte ordem: Pedro Abrunhosa & Os Bandemónio, dia 4; Ivan Lins e Carlos do Carmo, dia 5; Leila Pinheiro e Rui Veloso, dia 6; Toquinho, Maria João e Mário Laginha, dia 7.
Os cantoresIvan Lins, um dos grandes compositores nacionais, surgiu num dos muitos festivais da canção, com O Amor é o Meu País. Madalena, na voz de Elis Regina, o levou ao estrelato, mas depois viria o amargor do ostracismo. A parceria com Vitor Martins e o primeiro disco dessa fase, Somos Todos Iguais Essa Noite, trouxe-o de volta à primeira grandeza da música. Continua firme, reconhecido nacional e internacionalmente pelo público e pelos mais importantes intérpretes.
DivulgaçãoToquinho apresenta-se no festival na sexta-feira:
música brasileira da melhor qualidadeLeila Pinheiro, com sua voz privilegiada, atraiu para si críticas e comparações como sendo seguidora de Elis. Admiradora confessa da bossa nova, é uma cantora que sabe o que quer. Catavento e Girassol, CD lançado em 96, posicionou-se de imediato entre os melhores do ano. Sem a marca bossanovista, Leila regravou composições de Guinga e Aldir Blanc e silenciou os detratores quanto à sua arte de cantar.
Toquinho, exímio violonista, vem dos tempos dos festivais, mas não foi neles que se projetou. Nem ficou conhecido por ter emplacado um sucesso com Jorge Benjor, Que Maravilha. Somente Benjor levou os louros. A fama veio por inteiro e consolidou-se através da parceria com Vinícius de Moraes. Autor de composições inesquecíveis, Toquinho é outro astro internacional.
Mário Laginha, 37 anos, obteve classificação máxima ao graduar-se em piano. Mas a essas alturas já estava contaminado pelo jazz, tocando com o Sexteto de Jazz de Lisboa. Ao lado de Maria João formou uma das mais felizes parcerias. Juntos estiveram em festivais como o de Montreaux e do Mar do Norte, na Holanda, além de percorrerem toda a Europa.
Maria João conquistou público e crítica que a elegeram uma cantora única e exótica quando gravou Danças, em 1995, com Mário Laginha. Sua carreira, porém, vem desde 1982, e o reconhecimento como intérprete também não é recente. A expressividade, o domínio perfeito da voz e a paixão com que se entrega nas interpretações encantam platéias dos diversos países onde se apresentou até hoje.
Carlos do Carmo é conhecido dos cariocas; chegou a receber o título de Cidadão Honorário do Rio de Janeiro, pela contribuição dada na divulgação da música portuguesa. É considerado um dos maiores fadistas de todos os tempos. O primeiro artista de seu país a gravar CD, apresentou-se em quase todo o mundo. Esteve no Olympia de Paris, as Óperas de Frankkfurt e Wiesbaden, no Savoy de Helsinque entre outras salas famosas.
Rui Veloso nasceu em Lisboa, foi criado no Porto e suas músicas, aos ritmos do rock e do blues, trazem letras retratando o dia-a-dia. Ar do Rock, lançado em 1980, é considerado um marco do cancioneiro português. Com sua guitarra, Veloso atrai multidões de jovens e velhos.
Pedro Abrunhosa é o ídolo da juventude de Portugal. Ele já esteve no Brasil, também na Espanha, França, Luxemburgo entre outros lugares. Somente seu espetáculo Viagens foi visto por quase 900 mil pessoas. Nesta rápida passagem pelo Brasil, o cantor lança seu mais novo CD, gravado nos estúdios de Prince. Simultaneamente o trabalho chega às lojas nos Estados Unidos e Europa.
Vinho do Porto Festival - com artistas portugueses e brasileiros. Pedro Abrunhosa & Os Bandemónio, dia 4; Ivan Lins e Carlos do Carmo, dia 5; Leila Pinheiro e Rui Veloso, dia 6; Toquinho, Maria João e Mário Laginha, dia 7. No Guairinha, às 21h. Ingressos: R$ 25,00 (preço único).


