Betânia Rodrigues
De Londrina
Especial para a Folha2
‘‘O músico na Universidade’’ foi o tema escolhido para encerrar a Semana de Abertura das Atividades Acadêmicas do Departamento de Artes da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O debate realizado ontem à tarde reuniu cerca de cem pessoas em torno do professor Carlos Kater, doutor em Musicologia pela Universidade de Sourbone (França).
Kater é uma figura conhecida na Faculdade de Música da UEL. Nos últimos 15 anos participou várias vezes de eventos acadêmicos em Londrina graças a sua ligação com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Afastado das salas de aula desde fevereiro do ano passado Kater acumula no currículo uma vasta experiência no campo social. Ao lado de quatro colegas ele coordena o projeto ‘‘Música na Escola’’, criado há três anos pela Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais para capacitar os professores da rede pública de ensino.
‘‘Nossa intenção é oferecer às crianças a oportunidade de desenvolverem suas habilidades artísticas e contribuir para a formação cultural da nova geração. Através de noções básicas de ritmo e harmonia elas revelam sua maneira de enxergar o mundo e seus sentimentos mais íntimos’’, explicou Kater em entrevista exclusiva à Folha.
Até o início do ano passado, o projeto foi realizado com 125 mil crianças de 7 a 10 anos de idade em todo o Estado. Segundo o palestrante, uma das principais vantagens da inserção musical nas escolas é a melhoria do relacionamento entre alunos e professores. ‘‘O prazer que ela proporciona aproxima as pessoas e no caso das crianças demonstrou influência positiva até no aprendizado de outras disciplinas.’’ Devido à troca de governo o projeto entrou num ritmo mais lento e hoje busca junto às prefeituras e iniciativa privada condições financeiras para se manter em atividade.
Enquanto isso não se define, o professor Kater dedica a maior parte do seu tempo à presidência da organização não-governamental Através. Com sede em São Paulo, esta ONG realiza atividades sócio-pedagógicas em creches da periferia de Belo Horizonte desde 96. A creche do Conjunto Zilah Spósito transformou-se na central de atividades que inclui cursos de reciclagem para profissionais da área, serviços de apoio à comunidade e oficinas educativas.
‘‘Até agora, a nossa maior conquista foi a ampliação da creche Zilah Spósito e a fundação do Núcleo de Promoção Social que atende adolescentes e adultos. Com trabalho voluntário e um pouco de boa vontade do poder público e privado tentamos diminuir o alto índice de violência, prostituição e influência das drogas nessa região’’, disse o músico.
Aos 51 anos de idade, este paulistano já regeu muitos coros, fez inúmeras composições e arranjos em prol da música popular brasileira. Como consultor da UFMG ele acalenta um sonho: utilizar a infra-estrutura das universidades para o crescimento da sociedade.
‘‘O músico, em especial, não deve ficar restrito aos palcos. Ele pode se transformar num instrumento importante para a recuperação de pessoas dentro de penitenciárias, hospitais e projetos assistenciais, por exemplo. Esta é uma filosofia que, felizmente, vem ganhando cada vez mais espaço no meio acadêmico e que precisa ser aproveitada’’, finalizou Kater.

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