MÚSICA Bob Dylan lança disco 'moderno'
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terça-feira, 29 de agosto de 2006
Alexandre Matias<br> Folhapress 
Os ''tempos modernos'' fazem parte do passado. Depois de cinco anos sem lançar um disco de inéditas - o último, ''Love & Theft'', chegou às lojas no mesmo dia em que as torres gêmeas caíram -, Bob Dylan volta às prateleiras com ''Modern Times'', lançado nesta semana nos EUA e que chega ao Brasil em setembro. O disco é o item de número 50 em sua discografia, entre discos ao vivo, coletâneas e reedições, e é o terceiro capítulo de uma trilogia de obras-primas inaugurada com ''Time Out of Mind'' (97).
O hiato entre os dois lançamentos não passou em branco para o cantor e compositor norte-americano. Neste meio tempo, Dylan foi assunto de um documentário de Martin Scorsese (''No Direction Home'') e escreveu o primeiro livro de sua autobiografia (''Crônicas Volume 1''), além de virar disc-jóquei na rádio via satélite XFM e oficializar lançamentos piratas em sua ''Bootleg Series''.
Em ''Modern Times'', o cantor e compositor nos lembra que nem sempre houve cidades, carros, asfalto, publicidade, poluição, fábricas, multidões engarrafadas em rotinas vazias de sentido, crises e neuroses coletivas.
''Tempos Modernos'', resume Dylan, 65, que batizou seu 32º disco de estúdio com o mesmo título do clássico filme de Charles Chaplin, lançado em 1936, cinco anos antes do próprio compositor nascer.
Não é exatamente rock'n'roll, pois na contemporaneidade de ''Modern Times'', o rock ainda não existe. Há apenas uma variedade de ritmos musicais, uns vindo da música country, outros do rhythm'n'blues, que fingem não se frequentarem ou se parecerem, mas que, como veríamos mais tarde com os Beatles, e como Dylan nos apresenta em seu novo disco, é tudo farinha do mesmo saco.
Para Dylan, modernidade não são publicitários baixando músicas do MySpace para remixar em comerciais de energéticos. ''Moderno'' foram inventos como o rádio, o arranha-céu, o chiclete, o cinema, o disco, o carro, o rock'n'roll, os EUA ou o táxi, ''um yellow cab de época'', que rasga a capa de ''Modern Times''. Hoje, o mundo supera cada um destes aspectos, reinventando o século 21, até certo ponto, como negação do anterior. Para estes novos tempos, pede Dylan, arrume outro adjetivo, porque o ''moderno'' é seu.
Serviço: Modern times, de Bob Dylan. Lançamento: Sony (previsto para setembro).


