MÚSICA Baleiro vai disparar a poesia
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sexta-feira, 06 de junho de 2003
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O cantor Fagner e a escritora Hilda Hilst têm uma coisa em comum: Zeca Baleiro. Depois de lançar o quarto disco de sua carreira, o músico maranhense está trabalhando em dois discos paralelos. Um deles em parceria com Fagner, já em processo de pré-produção, e outro com Hilda Hilst, que vai reunir dez poemas da escritora escolhidos e musicados por Baleiro. ''Os dois trabalhos são quase antagônicos'', diz o músico. Ele faz show em Curitiba hoje, mas sem dar uma prévia do que serão os seus próximos discos. Na apresentação no Teatro Guaíra, Baleiro mostra o repertório de ''PetShopMundoCão'' seu mais recente trabalho.
De Fortaleza, onde se reuniu com Fagner para fazer os últimos ajustes antes de começar a gravar com o parceiro, Baleiro falou com a Folha, por telefone. ''A idéia de gravar com Fagner surgiu o ano passado, quando fizemos sete shows juntos pelo Brasil'', contou. A receptividade do público e a sintonia dos dois músicos fez com que ambos decidissem gravar juntos um disco com músicas inéditas. Ainda sem nome, o disco deve ser lançado até o final do ano.
Já o trabalho com Hilda Hilst deve levar mais tempo. Baleiro escolheu dez poemas da escritora, que vive isolada em uma chácara em Campinas (SP) com seus mais de 70 cachorros. Os poemas fazem parte do trabalho da escritora intitulado ''Ode descontínua e remota para flauta e oboé''. Os dez poemas serão entregues para dez cantoras, cinco já definidas. ''Vai ser um trabalho mais sensível, lírico até'', adianta Baleiro.
O disco ainda não tem previsão de lançamento porque depende de outras pessoas. Maria Bethânia, por exemplo, vai gravar uma das faixas, mas ainda precisa encontrar espaço na agenda. As outras intérpretes já definidas são Zélia Duncan, Ná Ozetti, Jussara Silveira e Verônica Sabino, todas parte do universo eclético do músico maranhense. O disco está sendo preparado com recursos próprios, ''para ter mais liberdade de criação'', segundo Zeca, mas assim que estiver pronto deve ser apresentado a uma gravadora.
''Quando você não tem elo com uma gravadora, dá para dirigir o caminho e deixá-lo mais livre'', diz o músico. Mas o vínculo, confesssa, é dos males o menor. Zeca Baleiro por exemplo diz estar no ''melhor momento da sua carreira''. ''Consigo fazer o que quero e ainda dá para ganhar um troco'', brinca. Ele acaba de lançar uma coletânea dos seus trabalhos anteriores pela Som Livre.
O próximo disco solo, no entanto, deve demorar por conta dos projetos com Fagner e Hilda. ''Três discos em um ano é muito coisa'', por isso ele deve se dedicar até o final do ano a divulgar ''PetShopMundoCão'' pelas cidades brasileiras. Em setembro segue para Portugal ainda com a turnê do disco. ''Depois devo descansar e pensar no próximo disco'', adianta.
Zeca Baleiro ganhou reconhecimento em meados da década passada com o aval de Gal Costa. A cantora incluiu a música ''Flor da Pele'' em seu CD ''Acústico MTV''. Em 1997, quando lançou seu primeiro disco, ''Por Onde Andará Stephen Fry?'', Zeca Baleiro foi considerado o cantor-revelação daquele ano.
No ano seguinte, ganhou dois prêmios Sharp: melhor disco e melhor música (''Bandeira''), ambos na categoria pop-rock. Este primeiro trabalho tinha participações de Robertinho do Recife, Marcos Suzano, Wanderléa, Genival Lacerda e Chico César, entre outros.
Quanto ao seu próximo disco de carreira, as parcerias e o estilo ainda são mistério. Ao mesmo tempo que o músico revela que seu próximo disco deve seguir a linha eletrônica de ''PetShop'' também conta que pode investir na antiga idéia de fazer um disco para crianças. ''O disco já está pronto na minha cabeça, é só gravar'', diz.
Serviço: Show com Zeca Baleiro hoje, às 21 horas, no Teatro Guaíra. Ingressos a R$ 25,00 para quem doar um quilo de alimento não perecível e para estudantes. Inteira, R$ 50,00.


