O dilúvio de bandas emergentes atordoa. Os nomes proliferam, festejados como os ''Strokes da vez'' pela afoita mídia pop. A euforia remete ao fenômeno ocorrido há pouco mais de dez anos, quando as revistas especializadas americanas tentavam descobrir um ''novo Nirvana'' a cada edição, atuando involuntariamente como caça-talentos das gravadoras.
A banda da hora atende pelo nome de Kings of Leon. É formada pelos irmãos Followill (Nathan, Caleb e Jared) e um primo (Matthew). O mais velho tem 23 anos, o mais novo tem 17. Todos nasceram no interior do Tennessee (EUA). Todos têm cabelos compridos de corte reto (será que o hype em torno dos meninos vai resgatar o estilo, considerado cafona pelo povinho fashion?).
No exterior, os críticos saudaram o grupo com superlativos. A revista inglesa Q, de julho, trouxe uma matéria intitulada ''Quase Famosos'', vinculando o look dos caras ao da banda fictícia do filme homônimo. No Brasil, colunistas garimparam a sacada reproduzindo-a como se fosse a observação mais original do mundo.
O álbum de estréia, ''Youth & Young Manhood'' (BMG), acaba de sair por aqui combinando country e rock sulista americano a partir de uma teia de influências setentistas que destaca nomes como The Allman Brothers Band, Lynyrd Skynyrd e Creedence Clearwater Revival. Na faixa ''Molly's Chambers'', uma das melhores do disco, eles ainda remetem aos contemporâneos Queens of The Stone Age.
Já em ''California Waiting'', trazem uma empolgante linha de guitarras melódicas e refrão aderente. É a grande canção do repertório, aquela com potencial pop para escalar as paradas e amenizar o ranço revivalista associado ao quarteto. Simultaneamente à aclamação dos irmãos Followill, outras bandas têm sido saudadas como grandes revelações.
Os Estados Unidos, claro, fornecem o maior número de grupos promissores na esteira da poeira levantada pelo furacão Strokes. Mas o novo motim das guitarras vêm de toda parte. A vasta lista abrange da irlandesa The Thrills à inglesa Athlete (ambas indicadas para o Prêmio Mercury Prize, espécie de ''Oscar'' da música pop britânica) passando pela canadense Hot Hot Heat e a dinamarquesa The Raveonettes.
Despontam ainda nomes como Futureheads, Ludes, Elefant, Please, The Kills, The Distillers, Longwave, Bellrays, Radio 4, Audio Bullys, Stellarstarr, The Go, Liars e The Rapture (prevista para tocar no Tim Festival, substituto do Free Jazz Festival, que será realizado no Rio de Janeiro nos dias 30 e 31 de outubro e 1º de novembro desse ano). A lista é grande, interminável e se renova a cada vez que publicações pop como New Musical Express, Magnet, Dazed & Confused, Mojo e Q pulam das gráficas para as bancas.

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