O cantor Zeca Pagodinho terminou de gravar nesta semana, no Rio de Janeiro, seu novo álbum, o ‘‘Acústico MTV’’. ‘‘Foram três semanas de estresse’’, como definiu o sambista, mas, na última terça e quarta-feira, os esforços de Zeca Pagodinho se transformaram em realidade. Diante dos olhos de convidados, amigos e artistas, Zeca – o segundo sambista a gravar um ‘‘Acústico MTV’’ (o primeiro foi o grupo Art Popular – conseguiu o que parecia quase impossível: fazer suas canções ainda mais irresistíveis. O resultado da gravação, o telespectador poderá conferir na emissora a partir de novembro, quando o CD chegará às lojas.
  A apresentação ficou por conta de Sarah Oliveira e Didi Wagner. ‘‘Esse show é uma celebração do samba. Todo mundo adora o Zeca Pagodinho. Ele ensina que temos de valorizar nossas raízes e faz isso naturalmente’’, disse Sarah. O cantor entrou em cena, agradeceu e se antecipou aos eventuais erros de gravação. ‘‘Espero que me perdoem pelos futuros erros. Os do passado, vocês já perdoaram’’, brincou. E emendou: ‘‘Espero que a gente não erre, mas, se errarmos, a gente faz de novo. Estou de saco cheio de ensaiar’’, disparou.
  O ‘‘Acústico MTV’’ começa bem, com um ‘‘pot-pourri’’ de ‘‘Quando Eu Contar (Iaiá)’’ e ‘‘Brincadeira Tem Hora’’. Cerca de 40 músicos ocupam o cenário, que tem peças coloridas como uma espécie de mosaico ao fundo. Dois maestros se revezam no comando da banda, que, além de pandeiros e tamborins, tem violinos, flautas e piano. O público não ficou de fora, cantou todos os refrãos e não se cansou de bater palmas na cadência do samba de Zeca.
  Extremamente bem-humorado, o cantor fez piadas e gracinhas a cada intervalo. Sua primeira observação não poderia ser outra: a falta de um copo de cerveja. Entre os amigos famosos presentes, Arlindo Cruz, Dudu Nobre e Marcelo D2. Mas ele passou o tempo todo agradecendo também aos compositores menos conhecidos, aos inúmeros ‘‘compadres’’ e aos amigos que saíram de Xerém para prestigiá-lo.
O repertório de 24 músicas tem sucessos como ‘‘Faixa Amarela’’, ‘‘Não Sou Mais Disso’’ e ‘‘Jura’’.
  ‘‘Penetra’’ é a primeira inédita a ser apresentada. Conta a história de um malandro que entrou em uma festa sem ser convidado. Em seguida, ‘‘Lá Vai Marola’’ e ‘‘Comunidade Carente’’, crítica aos políticos que fazem promessas e não as cumprem: ‘‘Somos carentes/ Não somos otários para ouvir blablablá em toda a eleição’’. Para encerrar a lista de novidades, a romântica ‘‘Pago pra Ver’’ – grande promessa do CD. Como Zeca define: ‘‘Essa é para aqueles que sofreram desilusões’’.
  O sambista começou o show muito concentrado, com o ouvido afiado nas batidas e no ritmo de seu time de músicos, e parou algumas vezes para refazer a gravação. Aos poucos foi se soltando e deixou o samba dominar o estúdio. Chegou a pedir que as pessoas sambassem, o que já havia sido proibido pela produção, por causa das posições das câmeras.
  Diferentemente dos outros especiais da emissora, Zeca só contou com uma participação especial: a da Velha-Guarda da Portela. Dividiram o palco em dois ‘‘pot-pourris’’: ‘‘O Sonho Não Acabou’’/ ‘‘Vivo Isolado do Mundo’’ e ‘‘Vai Vadiar’’/ ‘‘Coração em Desalinho’’. ‘‘O maior orgulho que a gente tem no mundo do samba é ser apadrinhado por uma velha-guarda. Ainda mais a da Portela, com todo o respeito às outras.’’
  ‘‘Deixa a Vida me Levar’’ fechou o show. O CD ainda terá a música ‘‘Pra Frente Brasil’’, que o cantor gravará em estúdio e que fará parte da trilha sonora do filme dos Cassetas. Mostrando mais uma vez que não nasceu para cumprir regras, ele não titubeou em, de microfone em punho, descer do palco e caminhar por entre as cadeiras da platéia. No fim da gravação, desculpou-se com a diretora e argumentou: ‘‘Sei que eu tinha de ficar aqui sentadinho, mas não podia deixar de cumprimentar meu povo’’.

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