MÚSICA - Wisnik em boa companhia
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terça-feira, 26 de julho de 2005
Ronaldo Evangelista<br> Folhapress 
Aos 57 anos, estudando música desde a adolescência, o pianista, compositor, cantor e escritor José Miguel Wisnik é um caso sem par na história da música popular brasileira. Geralmente associado à turma da vanguarda paulistana, surgida nos anos 80, exibe também relações com músicos como Tom Zé e Gal Costa, além de compor para cinema e dança e ter lançado livros sobre cinema e literatura.
No novo show que apresenta neste final de semana, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, ele estará acompanhado das cantoras Ná Ozzetti e Jussara Silveira e do violonista Arthur Nestrovski. Apresentando novas composições como ''A Serpente'' nunca gravada, composta para apresentação da peça homônima de Nelson Rodrigues e ''Tenho Dó das Estrelas'' escrita sobre poema de Fernando Pessoa, nunca apresentada nem ao vivo ele mostra que continua cada vez mais múltiplo e produtivo.
No próximo dia 10 de agosto, no teatro Alfa, em São Paulo, estréia o mais recente espetáculo do Grupo Corpo, chamado ''Onqotô'', que teve sua trilha composta por Wisnik em parceria com Caetano Veloso. E, em setembro, será lançado ''Hoje'', novo álbum de Gal Costa pela gravadora Trama, que traz inédita parceria de Wisnik com Chico Buarque, ''Embebedado''.
Ele ressalta que a parceria com Chico, acontecida por intermédio de Gal Costa. Sobre ter sido um parceiro atípico de Chico fez letra para melodia dele, e não o contrário, como geralmente acontece , ele diz que foi surpreendente. ''Alguém fazer letra para o Chico é realmente algo bastante anormal. Algo está de pernas para o ar. Essa frase, inclusive (''algo está de pernas para o ar'), é próxima de um verso que usei na música, comentando subjetivamente esse fato.''
Wisnik conta mais detalhes: ''Originalmente, a melodia havia sido composta por Chico para um espetáculo de teatro italiano que acabou não acontecendo. Assim, ele tinha uma melodia mas não tinha uma letra nem poderia fazer, andava ocupado na época com o lançamento internacional do seu livro. Quando a peça italiana não aconteceu mais, ele perdeu o pique, não havia mais a intenção original da música. Foi aí que Gal pediu a música a ele, e acertou-se que eu faria a letra.''
''Eu recebi um CDzinho com o Chico cantarolando a música e a partir daí fiz a letra. Tive muita dificuldade eu sempre demoro a fazer letra para músicas minhas, quem dirá uma de Chico Buarque. Eu escrevo em conta-gotas, mas o próprio Chico me tranquilizou, disse que isso é imprevisível mesmo, é imponderável, pode demorar anos. Então, fui deixando a música com seu tempo.''
Já a parceria com Caetano se deu de maneira mais impetuosa. Convidados a compor para o Grupo Corpo, foram para um estúdio na Bahia e ali desenvolveram quase toda a trilha. Wisnik conta que propôs a Caetano fazer um disco com esboços e idéias desenvolvidas no estúdio, ''como ele havia feito o ''Araçá Azul'' clássico experimental de Caetano. Gravado pelos dois, mais percussionistas baianos convidados, sob produção de Ale Siqueira, o disco terá uma primeira prensagem vendida de forma independente pelo próprio Grupo Corpo.


