Música - Weezer surpreende e emociona
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segunda-feira, 26 de setembro de 2005
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A tão aguardada apresentação do Weezer no primeiro dia do Curitiba Rock Festival, superou a expectativa da centenas de fãs e até mesmo de quem esperava que uma banda power pop não fosse fazer jus ao novo nome do evento.
Quando a banda liderada pelo nerdão Rivers Cuomo - que nem saiu do quarto do hotel enquanto esteve em Curitiba, preferiu ficar a maior parte do tempo pendurado no computador - entrou em cena com My Name is Jonas, recebeu de volta um coro uníssono da platéia com cada verso da primeira faixa do Blue Album.
Em seguida, a banda tocou Tired of Sex e Dont Let Go, faixas pra lá de populares de Pinkerton e Green Album, o segundo e o terceiro álbum, respectivamente. A seguinte, um hino para uma geração, emocionou boa parte dos fãs mais antigos: In The Garage não só sintetiza o que é fazer rock independente, como também fala de ícones como a banda Kiss e personagens dos X-Men, como Noturno (Nightcrawler) e Kitty Pride.
O álbum mais recente, Make Believe, apareceu pela primeira vez no setlist com Such a Pity. O cover surpresa, anunciado momentos antes na entrevista coletiva, foi Big Me, do Foo Fighters, que, como acertou Rivers Cuomo, certamente também é um grupo querido pelos brasileiros.
Why Bother e El Scorcho fizeram a festa dos que gostam mais do segundo e mais barulhento álbum, Pinkerton. Na apresentação das duas, já era possível ver que a banda se divertia bastante: Rivers Cuomo, que costuma ser comedido, sentia-se como um adolescente que admite ainda não ter crescido.
O momento por muito aguardado ainda sequer havia chegado quando a banda tocou Say It Aint So, outra cantada verso a verso com a platéia, que nesse momento parecia um mar humano frente ao quarteto. Vieram então a polêmica We Are All On Drugs, que critica o uso de drogas mas é alvo de críticas nos Estados Unidos; e The Good Life, a mais popular canção do álbum Pinkerton.
A partir de Beverly Hills, a platéia foi convidada a participar mais: a batida com palmas reacendeu quem já estava cansado de tanto gritar e preparou terreno para o hit mais conhecido, Buddy Holly. Nesse momento, a empatia com o quarteto de Los Angeles já era completa com a multidão.
Em Photograph, o bateirista Pat Wilson trocou de papel com o guitarrista e vocalista Rivers Cuomo. Em Island In The, Cuomo apareceu de surpresa em uma área do meio da platéia para fazer uma emocionante versão acústica da canção.
Undone - The Sweater Song, teve a divertida participação de um fã, escolhido na platéia para tocar junto com a banda. Nesse momento, Cuomo, que já encolhia os olhos para ver sem os óculos - deixou de lado a nerdice para pular e se divertir - sugeriu um dueto com o sortudo guitarrista reserva. O carisma do líder da banda conquistou até mesmo os que torcem o nariz para o estilo do Weezer.
Quando todos já pareciam satisfeitos com a apresentação, a banda ainda tocou Hash Pipe, hit do quarto álbum, e Surf Wax America, a mais urgente e contagiante do primeiro. Saíram de palco aplaudidos, com a certeza de que foi uma noite especial. E a sensação foi a mesma do outro lado, que agora espera ver Weezer mais vezes no Brasil.


