Curitiba - A tão aguardada apresentação do Weezer no primeiro dia do Curitiba Rock Festival, superou a expectativa da centenas de fãs e até mesmo de quem esperava que uma banda ‘‘power pop’’ não fosse fazer jus ao novo nome do evento.
  Quando a banda liderada pelo nerdão Rivers Cuomo - que nem saiu do quarto do hotel enquanto esteve em Curitiba, preferiu ficar a maior parte do tempo pendurado no computador - entrou em cena com ‘‘My Name is Jonas’’, recebeu de volta um coro uníssono da platéia com cada verso da primeira faixa do ‘‘Blue Album’’.
  Em seguida, a banda tocou ‘‘Tired of Sex’’ e ‘‘Don’t Let Go’’, faixas pra lá de populares de ‘‘Pinkerton’’ e ‘‘Green Album’’, o segundo e o terceiro álbum, respectivamente. A seguinte, um hino para uma geração, emocionou boa parte dos fãs mais antigos: ‘‘In The Garage’’ não só sintetiza o que é fazer rock independente, como também fala de ícones como a banda Kiss e personagens dos X-Men, como Noturno (Nightcrawler) e Kitty Pride.
  O álbum mais recente, ‘‘Make Believe’’, apareceu pela primeira vez no setlist com ‘‘Such a Pity’’. O cover surpresa, anunciado momentos antes na entrevista coletiva, foi ‘‘Big Me’’, do Foo Fighters, que, como acertou Rivers Cuomo, certamente também é um grupo querido pelos brasileiros.
  ‘‘Why Bother’’ e ‘‘El Scorcho’’ fizeram a festa dos que gostam mais do segundo e mais barulhento álbum, ‘‘Pinkerton’’. Na apresentação das duas, já era possível ver que a banda se divertia bastante: Rivers Cuomo, que costuma ser comedido, sentia-se como um adolescente que admite ainda não ter crescido.
  O momento por muito aguardado ainda sequer havia chegado quando a banda tocou ‘‘Say It Ain’t So’’, outra cantada verso a verso com a platéia, que nesse momento parecia um mar humano frente ao quarteto. Vieram então a polêmica ‘‘We Are All On Drugs’’, que critica o uso de drogas mas é alvo de críticas nos Estados Unidos; e ‘‘The Good Life’’, a mais popular canção do álbum ‘‘Pinkerton’’.
  A partir de ‘‘Beverly Hills’’, a platéia foi convidada a participar mais: a batida com palmas reacendeu quem já estava cansado de tanto gritar e ‘‘preparou terreno’’ para o hit mais conhecido, ‘‘Buddy Holly’’. Nesse momento, a empatia com o quarteto de Los Angeles já era completa com a multidão.
  Em ‘‘Photograph’’, o bateirista Pat Wilson trocou de papel com o guitarrista e vocalista Rivers Cuomo. Em ‘‘Island In The’’, Cuomo apareceu de surpresa em uma área do meio da platéia para fazer uma emocionante versão acústica da canção.
  ‘‘Undone - The Sweater Song’’, teve a divertida participação de um fã, escolhido na platéia para tocar junto com a banda. Nesse momento, Cuomo, que já encolhia os olhos para ver sem os óculos - deixou de lado a nerdice para pular e se divertir - sugeriu um dueto com o sortudo ‘‘guitarrista reserva’’. O carisma do líder da banda conquistou até mesmo os que torcem o nariz para o estilo do Weezer.
  Quando todos já pareciam satisfeitos com a apresentação, a banda ainda tocou ‘‘Hash Pipe’’, hit do quarto álbum, e ‘‘Surf Wax America’’, a mais urgente e contagiante do primeiro. Saíram de palco aplaudidos, com a certeza de que foi uma noite especial. E a sensação foi a mesma do outro lado, que agora espera ver Weezer mais vezes no Brasil.

mockup