MÚSICA - VOZES FEMININAS
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de setembro de 2006
Liliana Onozato<br> Reportagem Local 
Cada qual em seu tempo, mas, independente de cronologia, o Brasil é o país das cantoras. No decorrer da história, elas receberam o estigma de incompreendidas, nova revelação, divas, plagiadoras, cool, e por aí seguem os rótulos. Em meio a tantas particularidades, muitas coisas em comum: batalhar para subir num palco, gravar CDs e, quem sabe, ser reconhecida nacionalmente. Todas, no entando, revelam a música como fio condutor de suas vidas.
Nas noites, as intérpretes e compositoras se espalham pelos bares e restaurantes das cidades, acompanhadas apenas do violão ou de sua própria banda. Em Londrina não poderia ser diferente. Detalhe: boa parte dessa nova safra tem pouco mais de vinte anos. Curiosidade acerca de algumas delas? Acomode-se, pois as apresentações vão começar - e, neste caso, sem couvert artístico!
Ao fundo, Jorge Ben tocando solto no aparelho de som enquanto Tatiana Valle concede a entrevista. Aos 23 anos, a estudante de Turismo e Hotelaria considera a música o seu verdadeiro ofício. ''Aos 9 anos iniciei os estudos de violão e, quando tinha 14, já dava aula com minha professora. O canto acabou vindo como consequência. Também estudei dois anos de violão cello e viola de aço, mas o violão acabou sendo o meu instrumento-mãe'', contou.
No início, estabelecer contato com o público não foi tão fácil assim, de acordo com Tatiana. Para ela, ainda existe muito machismo. ''Eu pedia para mostrar meu trabalho aos donos de bares. Na primeira noite em que eu tentei, o dono permitiu, mas o músico que estava tocando não deixou e ainda me disse: 'não, porque eu não empresto meu violão e, segundo, porque mulher não sabe tocar'', indignou-se.
Sua primeira apresentação aconteceu em dezembro de 2002, durante uma noite inteira de 'canja'. Depois disso, não parou mais. ''Fiquei tocando fixo em bares durante uns dois anos. Acabei montando o Trio Camaleão, com o Elcio Oliveira e Alexandre Malagucci. Até 2005 trabalhamos muito em inaugurações de lojas, festas particulares, luais, eventos em geral, tanto em Londrina quanto na região. Esse trio tinha a proposta de mesclar instrumentos eruditos com populares. Tocávamos MPB e pop-rock internacional numa roupagem mais diferenciada'', destacou. Naturalmente cada um dos integrantes foi seguindo o seu caminho e o escolhido por Tatiana foi o samba. Para a jovem cantora, a preocupação com a música ultrapassa o lugar-comum: ''Penso que a pesquisa é extremamente importante. Não é porque alguém conhece três músicas do Cartola que vai conhecer sua obra. Compro muitos CDs e leio bastante'', disse. Hoje, entre seus enfoques está o samba-rock e as composições que já somam considerável repertório para gravar um CD. ''Estou preparando um projeto para gravar um CD demo, com o trio Zazueira, do qual faço parte. Acho que até dezembro sai'', destacou.
Para as jovens que desejam seguir a carreira de cantora, a dica de Tatiana é, primeiramente, que elas mesmas se convençam de que seu trabalho é bom. ''Tranquei a faculdade no primeiro ano, pois não aguentava ficar sem cantar. É uma coisa de coração. Quem não consegue ficar longe de música, já é 50% do caminho para dar certo. Mas tudo passa. Amanhã serão outras cantoras. Nada é insubstituível'', lembrou. Além de gravar seu trabalho em dezembro, Tatiana pretende ir para a Itália, onde sua família reside atualmente, e levar um pouco de samba e de sua música aos italianos.


