MÚSICA - Vocalista do Coldplay se irrita com jornalistas
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quinta-feira, 01 de março de 2007
Marco Bezzi<br> Agência Estado 
São Paulo - Esqueça o Chris Martin bonzinho e bem-humorado das apresentações do Coldplay em São Paulo. Na única entrevista que concedeu aos jornalistas brasileiros, na última quarta-feira, no Hotel Unique, o vocalista preferiu vestir a máscara do personagem aborrecido e irônico. Especialmente quando o nome de sua esposa, a atriz Gwyneth Paltrow, entrou no balaio das perguntas.
Quando o Grupo Estado perguntou a Martin sobre seus filmes favoritos protagonizados pela atriz, ele respondeu com outra questão: ''E quais são as suas posições sexuais favoritas? Vamos falar de música'', retrucou com um piscar de olhos.
O mau humor de Martin não foi exclusividade do Brasil. Na Argentina, abandonou a entrevista coletiva no meio. As razões para seu destempero surgiram com as críticas que a banda vem recebendo da imprensa e dos fãs após a opção por fazer apresentações em lugares menores e com o público sentado.
''Fiquei deprimido ao saber que estávamos sendo criticados por isso. Quando decidimos vir para cá, pensamos que seria especial para todos'', explicou Martin. ''É legal ver uma banda em locais menores'', justificou. Perguntado se, mesmo com as críticas, as cadeiras funcionaram, respondeu laconicamente que sim.
A banda prometeu voltar ao País (provavelmente com shows em estádios) na turnê do próximo álbum, que ainda está em fase de pré-produção e será arquitetado pelo experimental Brian Eno (U2, David Bowie). ''Ele já fez muita coisa relevante para a música'', disse o baterista Will Champion, explicando a escolha do veterano produtor.
Sobre o porquê de não incluir nenhuma música nova no repertório dos shows pela América Latina (além do Brasil, a banda tocou no Chile e na Argentina e depois do último concerto de ontem deve voar para o México), o quarteto respondeu que o novo trabalho ainda está sendo ''cozinhado''. ''Além disso, não queremos que vaze nada pela internet. Vamos deixar um clima de surpresa'', completou Martin.
A sonoridade do álbum ainda é um mistério. Quando perguntados se a banda experimentaria mais no novo disco, o vocalista apontou sua metralhadora para a imprensa. ''É muito difícil agradar a críticos que têm 20 anos a mais do que nós. Poucos grupos reinventaram a música ou o rock com apenas três discos, salvo exceções, como Nirvana e Pixies'', falou. ''Os Beatles precisaram de muitos álbuns para chegar ao Sgt. Peppers.''
O que os fãs podem esperar do sucessor de ''X&Y'' é uma maior quantidade de ringtones. Como? '''Clocks' é possivelmente o melhor do mundo. Queremos fazer mais músicas que virem ringtones'', ironizou Martin.


